Há histórias que permanecem vivas na memória de uma família mesmo depois que os dias mais difíceis passaram. A história de Gisele Schneider Fanka e de seu filho Andrei é uma delas.
Em julho de 2021, durante a pandemia de Covid-19, Andrei estava longe de casa realizando o estágio obrigatório do curso de Agronomia quando adoeceu. Ele estava em Chapecó, enquanto seus pais estavam em Pelotas. Depois de perceber, durante uma videochamada, que o filho precisava de ajuda, Gisele e o marido decidiram viajar para encontrá-lo.
O que inicialmente parecia ser uma viagem para buscar o filho transformou-se em uma longa permanência longe de casa. Andrei foi hospitalizado e, após uma semana sem apresentar melhora, precisou ser intubado. Ao longo de sua internação, Gisele acompanhou uma sucessão de complicações e ouviu dos médicos, em diferentes momentos, que a situação do filho era muito grave.
Foram 93 dias na UTI, 52 deles em coma induzido. Durante esse período, Gisele conta que se agarrou à fé enquanto familiares, amigos e pessoas de diferentes religiões se uniam em oração por Andrei.
Nesta entrevista ao Viver Para Adorar, Gisele conta, com suas próprias palavras, o que viveu durante a internação do filho, os momentos em que recebeu notícias difíceis, sua relação com Deus naquele período e o caminho percorrido por Andrei até voltar para casa.
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Quem é Gisele
Cléo: Quem é a Gisele Schneider Fanka?
Gisele: Bom, a Gisele, agora aposentada, mas trabalhei bastante como monitora escolar, lidando tanto com crianças como com adolescentes. Mãe de dois filhos, a Letícia e o Andrei, esposa também, porque sou casada com Nilto. E uma pessoa simples, uma pessoa comum, que passou por uma experiência muito difícil na vida, mas que, graças a Deus, venceu.
Andrei adoece longe de casa
Cléo: A experiência que tu dizes é que o teu filho teve uma enfermidade. Qual foi?
Gisele: Ele teve, no meio da pandemia, o vírus da Covid.
Cléo: E ele, em que situação estava?
Gisele: Ele, na verdade, estava fazendo o estágio obrigatório da Agronomia e foi fazer o estágio em Curitiba. De Curitiba, ele foi mandado pela empresa para Chapecó para fazer um treinamento.
Em Chapecó, ele não conhecia nada. Quem foi buscá-lo na rodoviária foi um colega da empresa que estava com gripe, com febre, e o Andrei adquiriu o vírus.
E aí ele ficou em isolamento por 10 dias e dizendo para nós sempre que estava bem, que estava bem. Ele não queria, na verdade, que a gente fosse a Chapecó antes dos 10 dias, para a gente também não pegar o vírus, né?
Ele simplesmente não queria nos assustar, já que a gente estava tão longe. A gente estava aqui em Pelotas e ele em Chapecó, sozinho, na verdade.
Aí ele ficou em isolamento total. Depois eu vim a saber que até a alimentação ele recebia por baixo da porta. Ninguém entrava em contato com ele lá no hotel em que ele estava.
“O meu filho está precisando realmente de mim”
Cléo: Ah, ele estava num hotel?
Gisele: Num hotel, porque ele tinha ido para o treinamento e a empresa tinha pago o hotel para ele ficar lá, né?
Aí, nesses 10 dias, eu falei com ele em videochamada e notei que o meu filho estava precisando realmente de mim. Eu disse para o Nilto:
— Nilto, vamos para Chapecó buscar o Andrei, que ele está precisando.
Quando a gente chegou lá, a gente se deparou com uma situação bem difícil, porque o Andrei quase não falava. Ele só tossia muito e não tinha força para falar por causa da falta de ar, né?
Aí, claro, a gente não ia ser irresponsável de botar ele no carro e trazer para Pelotas antes de passar numa UPA, lá em Chapecó.
Quando a gente chegou na UPA, ele foi atendido já de pronto atendimento pelo estado dele. E ali da UPA a médica já contratou uma ambulância e mandou direto para o Hospital Regional do Oeste para ele se internar, porque ele não estava bem.
No aniversário, a intubação
Gisele: Daí ele ficou uma semana na enfermaria. E, para nossa surpresa, no dia do aniversário dele — porque ele internou com 23 anos, dia 10 de julho de 2021, e no dia 17 de julho faria 24 anos — ele foi intubado, porque não respondia mais a nenhum tipo de oxigenação.
Então ele passou daquela máscara que parece um polvo. Ele não aguentava ficar um minuto fora daquela máscara.
Ele foi intubado.
No dia 17 de julho, que fazia uma semana que ele estava no hospital, ele não apresentou nenhuma melhora. Então foi intubado.
E aí, dali em diante, foi só ladeira abaixo, assim, porque ele ficou muito mal. Muito mal mesmo.
Uma longa permanência na UTI
Gisele: Ele foi desenganado várias vezes pelo médico. O médico chegou a dizer que ele era um “cristalzinho”, porque ele teve todas as bactérias resistentes da UTI.
Ele teve pneumonia, teve dois pneumotórax, teve um fungo dentro da própria UTI. Ele também adquiriu um fungo no pulmão.
Então ele fez uma cirurgia enquanto ainda estava intubado, porque os médicos, conversando entre si, pensaram:
— É melhor ele morrer a gente tentando salvar do que ele morrer aqui dentro da UTI.
Então, intubado mesmo, levaram ele para a cirurgia, para o bloco cirúrgico, onde fizeram uma limpeza. Abriram o pulmão dele por causa dos pneumotórax, que tinha ficado muito, muito compacto, né?
E aí voltou para a UTI, onde permaneceu por 93 dias.
“Eu me agarrei a Deus”
Gisele: Nesse período, o Andrei, como eu falei, teve várias, várias fases de que não ia se salvar. Tinham esperança, faziam de tudo, mas não podiam garantir, né?
Então, nesse período, eu me agarrei a Deus, porque era a única salvação que eu tinha. A única pessoa que podia ajudar naquele momento era Deus.
E foi onde eu me agarrei a Deus.
Todos os dias eu ia na igreja e pedia pela salvação do Andrei.
Ainda sinto, ainda, né? É como se a gente revivesse tudo.
Cléo: Sim, revive tudo.
Gisele: Exato. A gente lembra. Porque eu lembro do primeiro dia que eu entrei. Ele estava intubado, recém tinha sido pronado e revirado, né, da pronagem. Ele ainda estava inchado.
Então eu vi o meu filho intubado.
Depois ele teve o amarelão, porque o fígado ficou tão prejudicado pelos medicamentos que ele teve o amarelão.
Ele perdeu 30 quilos, usou fralda, não caminhava mais.
Tudo isso foi uma longa trajetória até o Andrei ficar bem, né?
A chegada a Chapecó
Cléo: Tu estavas aqui em Pelotas trabalhando, soubeste que ele estava doente, mas não sabias da gravidade, não é? Tu simplesmente tiveste essa intuição: “Não, espera aí, o meu filho não está tão bem”. Por isso vocês foram para lá?
Quando tu chegaste lá, qual a sensação de ver o teu filho naquelas condições?
Gisele: Um desespero total. Assim, mas sempre tendo a atitude de tentar resolver, né?
Ele estava tossindo muito, mas a gente não tinha como ajudar ele naquilo ali. Então a gente levou ele para a UPA e a médica teve essa noção da gravidade e mandou ele direto para o hospital, na ambulância.
Daí eu só vi o meu filho dentro da UTI depois.
Meses de internação
Cléo: Quantos dias ele ficou internado no total?
Gisele: Assim, na UTI ele ficou 93 dias. Em Chapecó nós ficamos três meses, porque depois ele foi para o isolamento.
Cléo: E para o isolamento por quê?
Gisele: Porque ele tinha tanta bactéria, tanta bactéria, que era um perigo para os outros doentes, né? Então ele foi para um quarto no isolamento, na enfermaria, e ficou mais um tempo lá.
Depois voltamos a Pelotas, porque quando ele deu uma melhorada da enfermaria, eles deixaram a gente voltar para Pelotas.
Só que a gente teve que alugar uma UTI móvel. Ele veio numa UTI móvel e passou dois dias em casa aqui e começou uma febre muito forte, muito forte.
Aí ele teve que hospitalizar aqui também em Pelotas.
Ele ficou mais um mês hospitalizado na Beneficência e depois mais um mês na FAU, porque na Beneficência achavam que ele tinha uma doença de sangue, algum problema de sangue, e ele teria que fazer um exame que só teria na FAU.
Mas aí, quando ele foi para a FAU, graças a Deus, o médico que atendeu ele descobriu que a causa da febre era o vírus que tinha entrado no fígado e que tinha causado colangite esclerosante secundária pós-Covid, que é uma doença nova, né?
Trataram e aí passou a febre.
Daí a gente teve a alta melhorada também aqui em Pelotas. Veio para casa, onde começou a fazer todo o processo de fisioterapia para voltar a caminhar. Até mesmo começou a perder a necessidade da fralda, né?
Reaprender a caminhar
Cléo: É, quando ele veio para Pelotas, estava debilitado. Ele teve que fazer todo um recondicionamento, readquirir musculatura, por ficar tanto tempo deitado também, né?
Gisele: Exatamente.
Cléo: E porque o Andrei é um rapaz pequenininho, né? A mãe dele já é alta. Quanto é que o Andrei mede?
Gisele: Ele mede 2 metros e 4 centímetros.
Cléo: Então ele realmente teve que readquirir muita massa muscular, a alimentação toda adequada, né?
“A gente só escuta a tosse dele”
Cléo: Quando tu chegaste lá, ele estava isolado. Como é que vocês foram vê-lo?
Gisele: Olha, quando eu cheguei na portaria do hotel, o Andrei estava no quinto andar do hotel, né? E eu perguntei para o recepcionista:
— Como é que está meu filho, o Andrei, que está no quinto andar?
— Olha, ele tosse muito. A gente só escuta a tosse dele, que é muito intensa. Eu acho que ele não está muito bem.
Aí eu e meu marido fomos até o quarto. A gente abriu a porta e viu o estado dele. Realmente estava bem transtornado, todo o rosto dele. Ele estava bem diferente do que ele era como meu filho.
As visitas à UTI
Cléo: Quando vocês entraram no hospital, como é que foi para ir na UTI?
Gisele: Bom, a gente tinha autorização para ir de 15 em 15 dias na UTI, né? A gente só podia ir nesse período.
Do resto, a gente ficava só com um telefonema por dia, que eram as notícias que a gente recebia. E muitas vezes uma pior do que a anterior. Cada dia era bem pior do que o anterior.
Cléo: E porque vocês não podiam ficar junto com ele?
Gisele: Não podia ficar junto, pelo isolamento, né?
E antes de entrar na UTI, todas as vezes que fomos lá, a gente tinha que botar toda aquela preparação. A gente parecia astronauta, né, para entrar na UTI.
Até o primeiro dia, como eu falei, o Andrei estava intubado. E muitas vezes eu visitei ele ainda em coma induzido, porque ele ficou muito tempo em coma induzido.
Ele ficou, na verdade, 50 e poucos… 52 dias em coma induzido.
Uma viagem que deveria ser apenas para buscar o filho
Cléo: Tu colocaste tudo dentro do carro e foste?
Gisele: Foi a primeira vez que a gente foi, né? Foi com a intenção de só trazer o Andrei. Então a gente foi sem preparação nenhuma, com a roupa do corpo.
A gente se perdeu muito devido ao nervosismo. A gente se perdeu muito. Levamos 14 horas para chegar em Chapecó, oito multas por velocidade, de tanto que a gente estava nervoso.
A gente não esperava que fosse ficar em Chapecó. Ficou uma semana, comprou uma roupinha aqui, uma roupinha ali, para poder ficar tomando banho, porque a gente não levou nada.
E, para nossa surpresa, a gente ficou bastante tempo só nessa situação, com meia dúzia de roupas.
Com um mês de internação, o médico nos avisou que ele teria uma internação muito prolongada.
Um mês depois de estar lá em Chapecó, a gente veio a Pelotas. Aí sim, a gente levou mala, levou tudo e saímos do hotel. Alugamos uma pequena casa lá para ficar, para levar a cachorra junto, porque era uma rottweiler.
Então a gente ficou mais tempo junto com a cachorra e aqui em casa tudo fechado, né?
O cuidado recebido em Chapecó
Cléo: Como foram esses dias?
Gisele: Tive sempre uma expectativa.
Olha, uma coisa que tem de bom lá em Chapecó é o SUS, porque o hospital não mediu esforços para fazer tudo que foi exame no Andrei.
Realmente o hospital foi maravilhoso. O atendimento, as enfermeiras muito dedicadas ao Andrei. Depois que ele acordou, tratavam ele que nem um filho.
Eu só tenho a agradecer a todo o pessoal lá de Chapecó.
“Eu tenho um Deus e esse Deus não vai me abandonar”
Gisele: Nisso eu tinha muita confiança em Deus, né? Sempre.
Porque quando o médico disse:
— O teu filho não tem chance.
O meu marido até, na época, disse:
— Ah, com tanta gente ruim, né, que pega e sai bem, o Andrei, que é um guri bom, agora está nessa situação.
E eu lembro que disse para o meu marido:
— Mas eu tenho um Deus e esse Deus não vai me abandonar. E, se tu quiser ficar aí praguejando dentro do hotel, tu fica, porque eu vou procurar o meu Deus e Ele não vai me abandonar.
Muitas pessoas se uniram em oração
Cléo: Todas as pessoas que ficaram aqui, que te conheciam, elas se uniram. Então houve uma união muito grande. Várias pessoas fizeram orações, de todas as religiões, em torno desse nome, não é, Andrei?
Eu, como evangélica, também chamei as irmãs da igreja e elas oraram por ele. Todos se uniram com um único objetivo: a cura e o milagre.
Em uma ocasião, uma professora passou por mim e me olhou bem nos olhos e disse assim:
— Cléo, que situação a dessa mãe. Eu não sei o que dizer para ela. Eu torço pelo melhor, mas o que eu vejo não é um horizonte muito bom e eu não sei o que dizer para ela.
Ela saiu e eu fiquei pensando. E o Espírito Santo tocou no meu coração naquele momento que realmente ela não sabia o que dizer e ela não sabia o que fazer, mas que eu sabia.
Eu sabia porque existe um Deus Todo-Poderoso que é capaz de levantar o paralítico, de fazer o cego enxergar, de fazer o Andrei levantar da UTI onde ele estava.
E quando ela me falou, aí então eu comecei a me unir com as pessoas que eu conheço e que eram de oração para orarem por ele.
A relação de Gisele com Deus
Cléo: Tu conhecias o poder de Deus antes? Tu conhecias Jesus? Tu conhecias o poder da oração?
Gisele: Ao longo da vida, a gente passa por vários percalços, né? E eu sempre entreguei a minha vida a Deus.
Então eu sempre dizia:
— Deus, faz o melhor que for para mim, mesmo que eu não saiba o que é o melhor, mas eu entrego a minha vida nas Tuas mãos.
Cléo: Dessa experiência que tu tiveste, o que mudou nessa tua relação com Deus?
Gisele: O que mudou é que realmente se intensificou a intimidade com Deus, no sentido de saber que Ele é uma pessoa que me ajuda sempre.
Para mim, Ele é tudo.
Então eu tenho sempre essa certeza que Ele está do meu lado. E eu tenho fé, sempre, porque fé é a gente acreditar naquilo que a gente não vê.
Pessoas que permaneceram ao lado dela
Cléo: Foram momentos muito difíceis e as pessoas ficaram orando por ti. O que elas te diziam?
Gisele: Quando eu estava lá, no caso, eu só falava com uma pessoa pelo telefone, que era Isabel, que também é de uma igreja da Família, também evangélica.
Ela era a pessoa que mais me dava força, porque ela sempre dizia:
— Tua fé vai curar ele.
Porque lá eu estava muito sozinha, né?
Mas conheci uma pessoa chamada Maria Luíza, lá de Chapecó. A gente fazia corrente de oração.
“Daqui a três dias”
Gisele: Um dia, a gente estava reunido e o Espírito Santo, ali num momento tão bonito, né, que a gente parecia que estava vendo luzinhas… É coisa muito bonita que aconteceu.
E naquela tarde ela disse:
— Gisele, tu acredita que teu filho saia da UTI daqui a três dias?
E eu disse:
— Não, não acredito.
Porque, no estado em que ele estava, eu achava que ele não ia sair da UTI.
E ela disse:
— Mas o Espírito Santo está me dizendo que ele vai sair no terceiro dia da UTI.
E realmente aconteceu!
Ele saiu!
Naquele momento o Espírito Santo disse isso para ela e realmente aconteceu. Três dias depois o meu filho estava fora da UTI.
Eu estou muito agradecida a ela também, porque era uma pessoa que, lá mesmo, na época da pandemia, de máscara e tudo, sempre se reunia comigo. Ela nunca me deixou isolada.
Ela sempre me deu muita força. Ela e muita gente ofereciam alguma coisa que podiam fazer por mim aqui em Pelotas.
Uma oração antes da cirurgia
Cléo: Não sei se tu te lembras que ele ia fazer uma cirurgia.
Gisele: Sim.
Cléo: Uma cirurgia que era uma cirurgia… eu não me lembro para que era.
Gisele: Pulmão.
Cléo: Era pulmão. Uma segunda. Ele tinha que fazer. Ele fez uma e tinha que fazer outra.
Naquele dia eu disse para ela:
— Pois então, Gisele, eu vou ligar para ti e a gente vai fazer uma oração juntas. E, no final dessa oração, eu só quero que tu repitas: “Amém. Amém. Amém.” Assim seja, né?
Eu conheço a Gisele há muitos anos, mas nunca tive a oportunidade de falar do amor de Deus e de Jesus para ela como eu falei durante o período em que o Andrei esteve doente.
E esse momento de fragilidade me deu a oportunidade de falar da grandeza de Deus para ela.
As pessoas todas conhecem a Deus, mas muitas vezes conhecem de ouvir falar e não de um relacionamento pessoal com a pessoa que Ele é.
Então eu me lembro que liguei para ela. Ela atendeu e eu fiz essa oração. Foi o Espírito Santo que foi me guiando.
Eu orei e, quando terminei de orar, lembro como se fosse hoje: eu ouvi a voz do marido da Gisele, Nilto, atrás, e ele disse “amém” mais vezes do que ela.
“A última palavra não é do homem”
Cléo: Uma pessoa me disse assim:
— Ai, mas ouvindo o médico, eu fico pensando não só na dor dessa mãe, mas como ela não enxerga que o médico está dizendo, não literalmente, que ele não vai sobreviver?
Gisele: Não! Todo mundo até se desesperava com aquelas palavras e eu sabia que aquilo ali seria só um período, mas que a vitória ia vir.
Eu tinha certeza. Eu nunca tive dúvida, nunca, Cléo, que o Andrei ia se curar.
Então ele falava, mas a última palavra não é do homem. A última palavra é de Deus.
Então é Deus que sabe todas as coisas.
Por isso que aquilo entrava aqui, ficava aqui um pouco, mas eu não entrava em desespero, de revolta.
Nunca tive revolta. Nunca me revoltei contra Deus.
O Andrei, depois que acordou, nunca se revoltou contra Deus. Ele sempre tinha um sorriso estampado no rosto e, dentro da UTI, brincava com as enfermeiras.
As enfermeiras tratavam ele que nem um filho, como eu disse, né?
E ele sempre de bem com a vida.
A busca por uma igreja em Pelotas
Cléo: Quando tu voltaste para Pelotas, teve um dia marcante. Tu lembras qual foi?
Gisele: Teve um dia que o Andrei ainda estava aqui em Pelotas, no hospital. Então um dia ficava o Nilto lá, outro dia ficava eu.
E um dia eu estava aqui em casa. A Cléo veio aqui. Eu teria que procurar uma igreja.
Eu fui para a igreja e, quando comecei a frequentar, realmente a cada dia era uma renovação na saúde do Andrei.
Cléo: Quando eu falei com a Gisele, eu disse para ela:
— Gisele, o Andrei está muito fraco e tu deves tomar uma posição, uma atitude e ir buscar Deus em uma igreja onde orem por ti, porque eu não sei quanto tempo ele vai aguentar nessa situação.
Mas eu terminei de falar e ela disse:
— Vou agora mesmo.
Aí eu não sei se foi naquele dia ou no dia seguinte…
Gisele: Foi no mesmo dia.
Cléo: No mesmo dia ela foi.
Eu falei com outra amiga, que era dessa igreja, e pedi orientação naquele mesmo dia. E ela disse:
— Vai, que eu já estou indo lá também. Mas, quando tu chegares lá, fala com o pastor e fala tudo que está se passando contigo e com o Andrei.
Gisele: E aí eu falei com o pastor e ele disse:
— Tu tens fé?
Eu disse:
— Tenho, tenho fé.
Naquele momento eu vi… isso é verdade, isso acontece realmente. E eu fiquei até surpresa com aquilo.
Mas o que importa é que, quando nós temos fé e nós buscamos a presença de Deus, sabendo que existe o bem e o mal e que nós temos que nos posicionar em relação a isso, as coisas acontecem, né?
Cléo: Acontecem!
A volta para Pelotas
Cléo: O Andrei veio para Pelotas numa ambulância, numa UTI, uma ambulância de UTI, né?
Gisele: É, UTI.
Cléo: E eu me lembro que os vizinhos fizeram uma festa de recepção para ele.
Gisele: É verdade. Foi muito bonita a recepção que os vizinhos fizeram aqui. Fizeram cartaz, tinha vuvuzela, tinha um monte de balão.
Bem feliz, porque para ele era uma vitória, né?
Embora ele estivesse 30 quilos mais magro, numa cadeira de rodas, cheio de cicatrizes dos acessos e tudo, ele chegou feliz porque estava de volta em casa, depois de tanto tempo.
“Deus tem um plano para a vida dele”
Gisele: Eu sempre digo para ele que Deus tem um plano para a vida dele, porque foi algo muito especial. Foi algo muito forte, muito forte.
O que nos mostra que realmente, quando a gente se aproxima de Deus, as coisas acontecem.
Mesmo lá em Chapecó, quando a médica disse — a médica da UPA ainda disse — que a única coisa que favorecia o Andrei era a idade, já que ele tinha 23 anos.
Mas aí, conforme eu ia na UTI e via que aqueles de 15, de 16, de 17 morriam, já vi que não era por aí, né?
Era uma coisa bem diferente que ia fazer o Andrei sobreviver. Que não era pouca coisa.
“Um milagre, com certeza”
Cléo: O Andrei havia acabado de se formar, estava com todas as possibilidades, todo um mundo para explorar e para viver. Poderia ter tido tudo aquilo interrompido, mas não teve.
Porque realmente… o que tu achas que aconteceu?
Gisele: Um milagre, com certeza!
Cléo: Um milagre.
Aconteceu algo assim que hoje a ciência ainda não explica, e não sei se vai algum dia explicar, mas com certeza existe uma ligação muito forte entre a fé e a cura e o poder de Deus atuando.
E hoje, como está Andrei?
Cléo: Então hoje o Andrei está como?
Gisele: Hoje o Andrei abriu uma floricultura para ele.
Cléo: O Andrei tem o próprio negócio, uma floricultura, que eu vou deixar o link aqui na descrição para você conhecer. Conhecer o Andrei, conhecer a Floré e todos os produtos que ele tem. Se você estiver interessado, entre em contato com ele.
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Encerramento
Cléo: Então, você que ficou até agora aqui comigo e com a Gisele, eu agradeço.
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Um grande abraço e fique com Deus.
Uma história de fé e esperança
A história de Gisele e Andrei nos lembra que, por trás de cada período difícil, existem pessoas, famílias e histórias que merecem ser ouvidas.
Ao compartilhar sua experiência, Gisele nos permite conhecer os dias de incerteza, o apoio que recebeu, a fé que a acompanhou e a alegria de ver seu filho voltar para casa e retomar seus projetos.
Agradecemos à Gisele e à sua família por compartilharem essa história com o Viver Para Adorar.
Porque cada história merece ser ouvida. E aqui, ainda existe esperança.
