Gisele Clarindo — testemunho de fé e esperança após diagnóstico de câncer de mama

Câncer de mama, fé e esperança: o testemunho de Gisele Clarindo

Câncer de mama, fé e esperança: o testemunho de Gisele Clarindo

Duas notícias no mesmo dia. Uma delas mudaria profundamente sua vida.

Gisele Clarindo estava vivendo uma nova etapa. Depois de 27 anos como professora, começava a desfrutar da aposentadoria, descobrindo o prazer das pequenas coisas: almoçar sem pressa, participar de clubes de leitura, aprender, conviver com outras pessoas e aproveitar o tempo que antes era ocupado pelo trabalho.

Foi nesse período que sua vida tomou um rumo inesperado.

Ao procurar cuidar melhor da saúde, Gisele descobriu que tinha câncer de mama. O diagnóstico trouxe dúvidas, preocupações e medo. Mas também marcou o início de uma jornada em que a fé, a família, os profissionais de saúde e o acolhimento de outras pessoas teriam um papel muito importante.

Nesta entrevista ao Viver Para Adorar, Gisele compartilha sua história com sinceridade, desde a descoberta da doença até o tratamento, os desafios físicos e emocionais e as experiências que fortaleceram sua esperança.

Assista ao testemunho de Gisele Clarindo

Um dia. Duas notícias. Uma história de fé e esperança.

Se você está passando por um momento como esse, esta entrevista poderá fazer parte da sua caminhada e trazer uma mensagem de esperança.

Transcrição do testemunho de Gisele Clarindo — versão resumida

Gisele: Então, eu tenho, num determinado momento, uma notícia avassaladora, né? E, uma hora e dez minutos depois, eu tenho a notícia de que eu me aposentei de novo, que é uma notícia boa, né? Mas também pensei claramente: com certeza, Deus também está me dando essa aposentadoria para que eu possa desfrutar dela com saúde.

Cléo: Hoje eu estou aqui com Gisele Clarindo, que acabou de terminar o seu tratamento contra o câncer de mama. Aqui, você sabe que nós compartilhamos histórias de vida, histórias reais. E hoje é um dia muito especial.

Gisele: Muito bem. Eu quero dizer que estou muito feliz com essa oportunidade de poder contar um pouco da minha trajetória e, quem sabe, trazer alguma informação que possa colaborar com pessoas que estejam atravessando uma trajetória parecida ou passando por alguma dificuldade de saúde. Que possam também, quem sabe, se inspirar, ter ânimo para realmente lutar pela sua saúde, pela sua vida.

Bom, eu fui professora durante 27 anos, né? Então, saía de uma escola para outra, nem ia em casa na hora do almoço.

Eu estava, então, desfrutando desse tempo de vida. Durante o meu trabalho, claro que eu vivia também e gostava do que fazia, mas esse tempo de parar, de ter um tempo para almoçar, foi a coisa que achei mais interessante perceber, porque parece tão natural, só que não.

A gente, quando trabalha, almoça correndo, de um lugar para outro, às vezes uma marmita, um restaurante, enfim. Então, eu consegui parar e almoçar em casa e não ter que sair correndo para o trânsito, né?

Eu estava desfrutando desses pequenos prazeres que a vida cotidiana normal nos traz, né?

E foi isso que ela fez. E, a partir disso, procurei fazer atividade física com acompanhamento nutricional, mudei minha alimentação e realmente perdi peso.

E, por ter perdido peso, senti um nódulo na minha mama direita.

Cléo: Porque a mama é um dos lugares onde mais se acumula gordura, e a gordura esconde.

Gisele: É, esconde. Exatamente.

E aí, então, quando senti, eu ainda estava fazendo algumas visitas à minha gastro, por conta da hepatite C. E disse para ela:

“Estou sentindo uma coisa estranha na minha mama direita.”

Foi ela mesma que já deu minha requisição para ultrassom e mamografia. E eu fiz.

A doutora do ultrassom disse:

“Olha, tem uma coisa estranha. É um nódulo que tem uma aparência diferente, então a gente precisa fazer uma biópsia.”

Fizemos a biópsia e deu um carcinoma ductal invasivo, positivo para estrogênio.

Cléo: E como é que foi? Em que momento foi na sua vida?

Gisele: Então, eu estava justamente em Porto Alegre, numa feira do livro, com minhas colegas do curso… do curso, não, minhas colegas do clube do livro, né?

E aí recebi uma mensagem do laboratório dizendo que o resultado já estava disponível.

Eu não esperei ir buscar o resultado, levar ao médico. Fui ao banheiro e abri ali, então, o meu diagnóstico. E li exatamente essas palavras: carcinoma ductal invasivo, positivo, 90% para estrogênio, HER2 negativo.

Só que, quando a gente abre um diagnóstico desses, não sabe tudo isso que eu já contei para vocês antes, que é hormonal e tal, toda essa função que a gente vai aprendendo durante o tratamento.

Então, eu li aquilo e a palavra que saltou aos meus olhos foi a palavra “invasivo”.

E aí fiquei pensando: “Meu Deus, né? Deus é que sabe de todas as coisas.”

Eu, como disse, sempre fui uma pessoa otimista, mas, ao mesmo tempo que tive essa notícia ruim, né? E tive essa notícia por volta das 9h04. Eu sei disso por quê? Porque o WhatsApp está lá, e ali estava o horário em que chegou a mensagem do laboratório.

Então, eu estava me preparando para voltar da feira do livro de Porto Alegre para Pelotas e recebi outra mensagem às 10h14.

E essa outra mensagem era da minha advogada, dizendo que eu tinha conquistado a segunda aposentadoria.

Olha, na verdade, a gente sempre tem que falar a verdade: poderia haver a possibilidade da minha morte, sem dúvida, né? Então, câncer, infelizmente, tem essa possibilidade.

Mas eu também, por conta da minha fé, sei que tudo tem solução.

Às vezes as pessoas dizem assim: “Tudo tem solução, menos a morte.”

Tudo tem solução, inclusive a morte, para quem crê em Jesus, que morreu na cruz para nos dar a vida eterna, para nos dar a salvação, que é a vida eterna.

Então, eu creio nisso, apesar de ainda querer viver muito aqui na Terra. Eu creio nisso.

Naquele momento, pensei: “Poxa, se chegar a minha hora, Deus, tu que sabes, né? Mas eu quero viver, eu quero que tu me ajudes.”

Foi o que pensei para enfrentar isso.

Eu não sei o que vai acontecer. Para mim, isso tudo é muito novo. É como abrir-se um buraco na minha frente e eu pensar: “Puxa, como eu passo por isso agora?”

Mas eu sabia que Deus estaria comigo. E isso, então, me fez ter forças para enfrentar.

Eu queria proteger alguns, né? Porque, na família da gente, a gente conhece todo mundo.

Então, a primeira pessoa com quem falei foi minha irmã Dirce, que tem uma postura parecida com a minha.

Foi para ela, a primeira pessoa com quem falei ainda lá em Porto Alegre, dizendo que estava voltando, porque ela sabia que eu tinha feito a biópsia.

Então, já disse a ela que estava voltando e que o diagnóstico foi esse. Mas primeiro contei da aposentadoria, já para deixar: “Ó, vai dar tudo certo.”

E aí, depois, contei do câncer.

Então, a gente sempre teve essa postura de encarar as dificuldades de frente e enfrentar o que tiver que enfrentar.

Mas, principalmente, foi no domingo à noite, na igreja, aqui. Eu me ajoelhei aqui no altar e chorei muito.

E aí disse para Deus — eu vou chorar de novo, porque aprendi também a dar vazão às minhas emoções —: “Eu estou com medo.”

Eu disse para Deus: “Estou com medo. Eu estou com medo e não sei o que vai acontecer. Eu não sei nem para onde ir. Eu não sei o que fazer.”

Mais do que tudo, era medo que eu estava sentindo do que iria descobrir, porque a gente fica pensando que o câncer pode estar em outras partes do nosso corpo.

Será que tem metástase? Será que não tem metástase?

Então, eu disse para Deus que estava com medo, mas que sabia que Ele iria me mostrar o caminho.

E isso era domingo. Eu sabia que Ele iria me mostrar o caminho, mas também não sabia qual seria o resultado desse caminho.

Então, até isso me dava medo.

E eu confessei o meu medo para Deus, e Ele acolheu o meu medo e me fortaleceu para a segunda-feira e para a semana que viria.

Ele disse assim: “Gisele, tu vais sair desse câncer melhor do que quando tu entraste. Eu vou fazer a tua cirurgia plástica. Eu vou tirar o teu tumor e vou fazer tua cirurgia plástica.”

Então, tu vais te sentir muito melhor.

Para vocês terem noção do quanto eu precisava dessa cirurgia plástica, foram retirados 2,3 kg das minhas mamas. Então, realmente elas eram volumosas.

Foi muito interessante. Inclusive, esse doutor, ele era, ele é muito para a frente e me deu essa camiseta que estou usando, que é: “A cura é o ponto de partida.”

“A cura é o ponto de partida.”

Foi isso que ele me disse: que a cura é o ponto de partida.

Então, nós começamos o tratamento a partir da cura.

Eu fiz minha cirurgia no dia 27 de novembro de 2025. Quero dizer que aquele dia em que li o diagnóstico foi no dia 8 de novembro.

Então, no dia 27 de novembro, fiz a cirurgia e retirei.

Nos exames aparecia um nódulo de 2,5 cm e, na cirurgia, foi retirado um nódulo de 6 cm, para ver como a mama densa realmente não permitiu um diagnóstico preciso do tamanho do tumor.

E, para dizer, 6 cm, porque muitas vezes já encontrei, nesse meu processo, pessoas com um nódulo de 3 cm, de 2 cm, de 1,5 cm, apavoradas.

Calma, o meu tinha 6 cm e foi possível tirá-lo com margem de segurança e tudo tranquilamente.

E claro que quanto menor, melhor, né, pessoal? Mas, no meu caso, foi assim.

E eu também positivei nódulos da axila. Então, foram tirados 11 linfonodos e quatro positivaram.

Com isso, o tratamento tem outro viés.

Eu estava lá meio perdida nesse ambiente, ainda esperando para ser atendida, e ouvi uma voz que disse assim:

“Oi, profe!”

Eu levantei a cabeça e olhei. Era uma aluna minha.

Eu olhei para ela e disse: “Martina!”

Eu sei o nome dela, me lembro da mãe, do irmão, do pai, de onde ela mora, de como era a letra dela, de tudo, sabe?

E ela falou: “Ai, que bom te encontrar! Como é que tu estás? O que aconteceu?”

Aí contei para ela.

Ela disse assim: “Eu sou a enfermeira da oncologia aqui do CER.”

Ou seja, ela me acompanhou durante todo o meu tratamento.

Então, é muito bom a gente ter alguém conhecido nesse momento, né? Eu me senti segura.

Encontrar a Martina foi um presente de Deus para mim, que me fortaleceu e me fez pensar: “Aqui também é o meu lugar. Aqui eu também vou ser bem tratada.”

E a minha médica, então, me prescreveu 12 quimioterapias brancas, quatro vermelhas.

Aí perguntei para ela: “Por que primeiro as brancas?”

Porque lá em Porto Alegre meu médico havia dito que seriam primeiro as vermelhas.

E ela falou assim: “Pela tolerabilidade.”

Os médicos gostam de falar umas palavras assim, mas, claro, né? Porque é mais tolerável.

A quimioterapia branca é dita assim, que é mais tranquila, né? Não é aceitável, mas claro que ela também é bastante forte.

E depois, então, a vermelha.

Ela disse que eu não iria me debilitar tanto e que depois estaria mais acostumada com as quimios para enfrentar a vermelha.

Eu achei interessante esse jeito que ela decidiu fazer.

Outro sintoma que é importante falar é a perda do cabelo.

Também não acontece de imediato. Para mim, foi acontecer após a terceira quimioterapia.

Acho que a terceira foi por volta do dia 27 de fevereiro e, no dia 2 de março, decidi cortar o cabelo.

Porque, assim, cai aos poucos, sabe, gente?

Mas é muito desagradável. Tu estás aqui, já vai ter um cabelo. Aí, no sofá, tu vais ter cabelo. No teu travesseiro, vai ter cabelo.

Aí tu vais fazer almoço, tens que te cuidar porque está caindo cabelo toda hora. Tu vais tomar banho…

E eu tinha cabelo crespo, comprido. Então, penteava meu cabelo no banho, porque fica muito enredado.

Aí, então, a tua escova… Eu tenho até uma foto no meu Instagram da minha escova tapada de cabelo, assim.

Então, é algo que vai… Tu ficas te remoendo com aquilo, né? Está caindo, vai cair, vou ficar careca.

Então, acolhe os teus sentimentos.

Tu vais ter um momento em que vais sentir medo, em que vais te sentir revoltada, talvez. Cada um encara de uma forma.

Acolhe os teus sentimentos.

Mas eu já fui viúva, já perdi meu marido e aprendi também que o luto tem o tempo que a gente dá para ele.

Então, vive o teu luto por ter descoberto um diagnóstico que tu não querias ter.

Vive o teu luto, mas depois te posiciona, sabe?

Porque, quando a gente se posiciona, as coisas acontecem.

Quando a gente se posiciona, a gente muda as circunstâncias.

Não que tu não vás ter dores, que não vás ter dificuldades. Não, tu vais ter.

Mas tu vais buscar um futuro melhor, sabe?

E até tem um versículo que eu quero dizer. Provérbios 31 descreve a mulher virtuosa. E tem uma parte dele, do versículo 25, que diz assim:

“Reveste-se de força e dignidade e diante do futuro sorri.”

Esperança, para mim, é fôlego.

Ah, e a esperança na minha vida é Jesus.

É claro que eu tenho esperança na ciência, que tenho esperança de o tratamento ser o mais eficaz possível, sim. Mas eu tenho esperança em Jesus.

Porque de que adiantaria — eu já meio que antecipei isso aqui na minha fala — de que adiantaria eu me curar do câncer e morrer eternamente?

Ah, mas com Jesus eu tenho a certeza de que vou viver eternamente.

Somos seres eternos.

E Jesus, então, veio para que a gente pudesse ter a vida eterna.

Mesmo enfrentando a morte terrena, nós temos a vida eterna em Cristo Jesus.

Vamos morar com Ele eternamente, num lugar onde não haverá choro, onde não haverá dor, onde não haverá câncer, onde não haverá quimioterapia, onde nós vamos poder viver e desfrutar da vida que Deus preparou para nós.

Então, a minha esperança é Jesus. E é essa esperança também que me traz fôlego.

Fôlego para enfrentar aquilo que me traz algum desconforto, alguma dificuldade.

Então, a esperança é algo que me faz enfrentar sem titubear.

Não vou dizer sem medo, porque eu tive medo.

Nós somos seres espirituais e precisamos cuidar também da nossa vida espiritual.

E aí é esse ser completo que vai enfrentar o que tiver que enfrentar.

Então, eu te desafio a desenvolver a fé em Jesus, a conhecer quem é Jesus.

E eu tenho certeza de que Ele vai te atrair e vai mudar a tua vida.

E nós sempre vamos enfrentar dificuldades.

Eu sempre soube. Perdi meu pai e meu marido no mesmo ano, em 2011.

E eu sabia que existem fases. Já tinha perdido minha mãe antes. Fases difíceis de perdas.

Eu sei que essas fases vão e voltam.

Às vezes é uma doença, às vezes é uma perda, às vezes é uma dificuldade financeira.

A gente sempre vai enfrentar, mas enfrentar com Jesus faz toda a diferença.

Cléo: A Gisele contou a história dela toda no Instagram, né, Gisele Clarindo, porque a história dela está toda registrada ali.

Você está precisando de companhia? Então saiba que você não está sozinho, tá?

Um grande abraço e fiquem com Deus.

Duas notícias que marcaram o mesmo dia

Gisele estava em Porto Alegre, participando de uma atividade com suas colegas do clube de leitura, quando recebeu a mensagem de que o resultado de sua biópsia estava disponível.

Ao abrir o exame, encontrou o diagnóstico de carcinoma ductal invasivo. Uma palavra chamou especialmente sua atenção: invasivo.

Era uma notícia difícil de receber. Ela ainda não sabia exatamente o que aconteceria, quais tratamentos seriam necessários ou como sua vida mudaria.

Pouco mais de uma hora depois, recebeu outra mensagem. Dessa vez, era sua advogada comunicando a conquista de sua segunda aposentadoria.

No mesmo dia, uma notícia preocupante e outra motivo de alegria.

Para Gisele, aquela coincidência também se tornou parte de sua reflexão sobre o cuidado de Deus em sua vida.

O cuidado com a saúde antes do diagnóstico

Antes de descobrir o câncer de mama, Gisele já havia enfrentado outra questão importante de saúde.

A experiência de seu pai com a hepatite C despertou nela a preocupação de investigar se também poderia ter a doença. Após realizar exames, recebeu o diagnóstico e passou pelo tratamento, obtendo a cura.

Mais tarde, ao se preparar para uma cirurgia plástica nas mamas, recebeu orientação médica para melhorar sua condição física. Mudou hábitos alimentares, praticou atividades físicas e perdeu peso.

Foi nesse processo que percebeu um nódulo na mama direita.

A investigação médica, com exames de imagem e biópsia, confirmou o câncer.

Ao recordar essa sequência de acontecimentos, Gisele compartilha como interpretou cada etapa à luz de sua fé e como os cuidados anteriores contribuíram para que enfrentasse o tratamento que viria.

O medo também fez parte da caminhada

Ter fé não significou estar livre do medo.

Gisele conta que procurou enfrentar o diagnóstico com serenidade, mas também viveu momentos de profunda emoção.

Um dos mais marcantes aconteceu na igreja, quando se ajoelhou diante do altar e chorou. Naquele momento, falou com Deus sobre o que estava sentindo, sobre o desconhecido e sobre o medo do que poderia acontecer.

Ela não sabia qual seria o resultado daquela caminhada, mas acreditava que não estaria sozinha.

Seu testemunho mostra que a fé e a vulnerabilidade podem estar presentes na mesma experiência.

A família, os profissionais e o acolhimento

Ao receber o diagnóstico, Gisele também precisou encontrar uma maneira de compartilhar a notícia com as pessoas que amava.

Ela conta como conversou inicialmente com sua irmã Dirce, como preparou a conversa com o marido e por que decidiu esperar um pouco mais para comunicar a situação à filha, que morava distante.

Durante a entrevista, fala com gratidão sobre os profissionais que participaram de seu atendimento e sobre os encontros inesperados que trouxeram segurança e acolhimento.

Um desses encontros aconteceu no serviço de oncologia, quando reencontrou Martina, uma antiga aluna que agora trabalhava como enfermeira.

Em meio à insegurança de um ambiente novo, reconhecer alguém de sua história foi especialmente significativo.

Cirurgia, quimioterapia e os desafios do tratamento

Gisele relata a cirurgia para retirada do tumor, os cuidados necessários após o procedimento e o início da quimioterapia.

Fala abertamente sobre os efeitos que experimentou: o cansaço intenso, os desconfortos físicos, a sensibilidade no corpo e a queda do cabelo.

Também compartilha como lidou com as mudanças na aparência, o uso de peruca e os sentimentos que surgiram durante essa fase.

Sem esconder as dificuldades, Gisele conta sobre os momentos de humor, as amizades e os gestos de carinho que fizeram parte do tratamento.

Sua experiência é pessoal. Ela reconhece que cada paciente pode reagir de maneira diferente e destaca a importância de seguir as orientações da equipe de saúde.

A importância de celebrar cada etapa

Ao longo da entrevista, Gisele fala sobre a importância de reconhecer as pequenas e grandes conquistas.

O encerramento de uma etapa do tratamento foi motivo de celebração.

Para ela, agradecer, reunir pessoas queridas e valorizar os momentos vividos também eram maneiras de enfrentar a doença sem permitir que ela ocupasse todo o espaço de sua vida.

A caminhada não foi feita apenas de consultas, exames e medicamentos. Também houve encontros, aprendizados, demonstrações de afeto e novas amizades.

A esperança que permanece

Ao refletir sobre tudo o que viveu, Gisele fala de uma esperança que não depende apenas das circunstâncias.

Sua fé em Jesus ocupa um lugar central nessa compreensão da vida, do sofrimento e do futuro.

Ela também convida quem a escuta a perceber as bênçãos presentes no cotidiano: a convivência com a família, a natureza, as amizades, as oportunidades de aprender e os pequenos momentos que muitas vezes passam despercebidos.

Ao final, sua mensagem não é a de uma vida sem dificuldades, mas a de alguém que encontrou na fé forças para atravessá-las.

Para Gisele, a esperança continua sendo fôlego para viver.

Assista à entrevista completa de Gisele Clarindo

Quer conhecer todos os detalhes dessa história?

Na entrevista integral, Gisele compartilha sua trajetória em suas próprias palavras, incluindo experiências, desafios, encontros e reflexões que marcaram sua caminhada.

Se este testemunho falou ao seu coração, compartilhe com alguém que esteja precisando de encorajamento.

E, se desejar, deixe seu comentário. Sua participação também pode levar esperança a outras pessoas.

Conheça outros testemunhos de fé no Viver Para Adorar.

Viver Para Adorar — Um lugar onde ainda existe esperança.


Nota editorial

Este testemunho apresenta a experiência pessoal de Gisele Clarindo, compartilhada em entrevista ao Viver Para Adorar. Suas percepções sobre a fé, a doença e o tratamento fazem parte de sua história individual.

Este conteúdo busca incentivar a atenção à saúde, a avaliação, o diagnóstico e o acompanhamento por profissionais de saúde, sem substituir esses cuidados.

Leia a transcrição completa da entrevista.

Leia a transcrição completa da entrevista. [0:00] Olá, seja muito bem-vindo ao Viver para Adorar. Aqui você sabe que nós compartilhamos histórias de vida, histórias reais. E hoje é um dia muito especial. Hoje eu estou aqui com este símbolo que é um laço cor-de-rosa em razão do outubro rosa. Ele foi, ele é o símbolo dessa campanha que divulga a prevenção do câncer de mama. Esse diagnóstico é muito importante e foi numa corrida, a corrida pela cura, que esse lacinho foi distribuído a todos os participantes, a todas as participantes. Então ele se tornou o símbolo oficial. E não é apenas no Brasil, ele é uma campanha internacional para que haja
[0:45] esse diagnóstico precoce. Eu posso falar uma coisa sobre isso? Claro. Na verdade foi uma mulher chamada Charlotte Harley, que ela ã começou fazendo uma fitinha cor de pêssego e um e um folhetinho explicativo, porque ela se viu com a mãe, a irmã e a filha com câncer de mama e percebeu assim que os Estados Unidos investiam tanto em em material bélico, em guerras, enfim. E elas tinham muita dificuldade de ter acesso aos tratamentos de câncer de mama. Então ela fez esse esse folheto para informar as pessoas que era necessário ter maiores investimentos para a prevenção do câncer de mama. E aí isso foi se espalhando e no dia da corrida já não era mais ela cor de
[1:30] pêssego e sim rosa. E aí foi que aconteceu. [risadas] Que coisa maravilhosa, não é? Então se você souber mais detalhes sobre esse evento tão significativo, não é, no mundo todo, pode colocar aqui nos comentários. Hoje eu estou aqui com Gisele Clarindo, que acabou de terminar o seu tratamento contra o câncer de mama. Gisele, vamos começar pelo que tu fazias antes, como era a tua vida antes desse diagnóstico? Sim, muito bem. Eu quero dizer que eu tô muito feliz com essa oportunidade, né, de poder contar um pouco da minha trajetória e quem sabe trazer alguma informação que possa colaborar com pessoas que estejam atravessando uma uma trajetória parecida ou passando por alguma dificuldade de saúde que vai
[2:15] também, quem sabe se inspirar, né, eh, quem sabe assim ter ânimo para realmente lutar pela sua saúde, pela sua vida. Bom, eu fui professora durante alfabetizadora, trabalhei 27 anos na mesma escola, trabalhei numa escola luterana e também numa escola do município. E aí, ã, já fazia uns dois anos que eu havia conquistado a minha aposentadoria pelo município, mas pelo pela escola particular eu ainda não tinha conquistado. E mas de qualquer forma, eu já tinha parado de trabalhar, porque eu acho que cada coisa tem um ciclo e esse ciclo já tinha se encerrado, até porque a gente precisa ter bastante energia para trabalhar com criança. E como eu tinha já então uma aposentadoria e não tinha tanta necessidade financeira, eu parei com o meu trabalho na escola particular e
[3:06] fiquei esperando o tempo da minha, aliás, na verdade a idade, porque o tempo eu já tinha para a minha aposentadoria. E a a partir disso eu comecei a fazer as coisas que eu gosto, né? Porque quando a gente trabalha como professora, a gente tem que ter muitas horas aulas para conseguir um salário digno. Então, eu trabalhava muito e acabava que eu não tinha tempo nem de ir numa farmácia, por exemplo, ah, eu preciso comprar uma coisa. Tu vai, chega em casa, puxa, esqueci de passar na farmácia, tinha que sair de casa para passar numa farmácia, porque durante o dia tu estavas eh totalmente envolvida pelo teu horário de trabalho, né? Então, saía de uma escola para outra, nem em casa na hora do almoço. Ah, eu estava então desfrutando desse tempo de vida
[3:47] que no durante meu trabalho, claro que eu vivia também e gostava do que eu fazia, mas esse tempo assim, ó, de parar, de ter um tempo para almoçar, foi a coisa que eu que eu achei mais interessante eu perceber, porque parece tão natural, só que não. A gente quando trabalha almoça correndo, sabe, de um lugar para outro, às vezes uma marmita, um restaurante, enfim. Então eu consegui parar e almoçar em casa e não ter que sair correndo pro trânsito, né? Então eu tava desfrutando desses pequenos prazeres, né, que a vida cotidiana normal nos traz, né, e também fazendo o que eu gosto. H, eu brincava assim que era como, eh, às vezes a gente percebe que pessoas que se separam, [risadas] as mulheres assim vão viver, vão fazer tudo enlouquecidamente, né? Algumas vão
[4:34] pra noite, essa coisa, né? Quem não conhece Jesus, né, vai buscar o preenchimento nessas coisas. E eu tava assim como uma mulher separada, querendo experimentar tudo. Só que meu tudo era eh rodas de conversa, eh oficinas de crochê, eu me juntava com as vovozinhas lá nas nas lojas de aviamentos para fazer crochê. Qualquer coisa que aparecesse, eu ia fazendo. Aí eu entrei também para um clube de leitura. Não foi suficiente estar em um, eu estou em três, né? Então, aquela coisa de tá experimentando, eu fui na Artesanal Sul, em Porto Alegre, que é uma uma feira de produtos de artesanato. Então, eu ia, tudo que eu não pude ir por muitos anos, eu comecei a fazer. Então, eu tava verdadeiramente curtindo a vida, sabe?
[5:15] Fazendo as coisas que eu gosto, né? Foi isso. [risadas] Ah, que bom. E e quando foi que tu recebesse esse diagnóstico? Como foi? Sim, isso. Eu eu quero dizer que eu acredito, né, por ser uma pessoa cristã e por ter Deus na minha vida desde sempre, eu acredito sem dúvida, de que ele conduz a minha vida, né? E na verdade ele me preparou para eu ter esse diagnóstico de câncer. E eu vou te explicar como eu, como eu estava com tempo, eu comecei a procurar me cuidar e eu tinha uma mama muito grande, muito densa. Então eu resolvi que eu ia fazer uma cirurgia plástica. Mas agora eu vou antes da cirurgia plástica, que agora eu me lembrei, eu o meu pai ele teve um câncer de fígado. E
[6:03] esse câncer de fígado, ele a gente foi descoberto que ele foi desenvolvido por conta de uma hepatite C. E um dia eu tava com uma colega de serviço e ela conversando que ela estava fazendo um tratamento para hepatite C. E eu falei: “É mesmo, como é que é isso, né? Porque antigamente eu sabia que esse tratamento ele era bem doloroso, bem difícil, a pessoa ficava debilitada, né? E ela tava muito bem”. E aí ela falou: “Não, hoje em dia tem um tratamento mais moderno e tem cura”. E na época do meu pai, a hepatite C não tinha essa cura e ele nem sabia que tinha. Então acabou virando esse endocarcinoma. Hepatocarcinoma. Hepatocarcinoma. E aí quando ela falou sobre isso, me acendeu uma luz, falei assim: “Será que eu também não tenho essa hepatite C, né? E
[6:47] aí, com o tempo de ir ao médico, de procurar. E essa hepatite C é aquela que se pode prevenir simplesmente tomando a vacina. Ah, não. A hepatite B que pode ser prevenida tomando vacina e a hepatite B não tem cura e a hepatite C não pode ser prevenida, mas ela tem cura. Tem cura. OK. [risadas] Então, mais uma informação importante aqui para quem tá nos ouvindo, né, que às vezes existem doenças silenciosas que quando a gente vai descobrir é porque elas já estão, infelizmente numa numa numa, é, numa fase mais difícil de tratada. E aí eu fui fazer esse exame e descobri que eu tinha tal da hepatite C e mas tive uma médica gastro muito muito boa. Ela me deu toda a o encaminhamento para que eu buscasse esse tratamento via SUS, porque é também um tipo de doença
[7:37] que o Ministério da Saúde trabalha para prevenção, né? Então eu tenho toda uma política pública, né, de de prevenção e cura das hepatites, né? Então eu entrei nessa nessa política pública e recebi a medicação de graça, né? Eh, de graça não, né? A partir dos impostos que a gente paga, né? [risadas] E e consegui fazer um tratamento de 3 meses e ter o diagnóstico de cura da hepatite C. E é verdade. E essa medicação eu tomava sempre às 13 horas. Era era o horário que a minha médica me sugeriu, né? E eu tomava as 13 horas. Então, a partir disso, meu meu celular despertava às 13
[8:19] horas para eu tomar essa medicação. E acabou que eu deixei ele continuando despertando às 13 horas. Por quê? Porque eu percebi que eu tive uma chance que meu pai não teve e que talvez ele não quis também porque os homens têm mais dificuldade de procurar, né? Cuidado pessoal. Isso mesmo. Então, ã, eu pude fazer diferente do que ele fez e procurei saber, né, e, e descobrir e tratar. E Deus me deu a graça de viver diferente, né? ter uma vida diferente da do meu pai por conta da do diagnóstico precoce também da da hepatite. Então, meu celular até hoje desperta às 13 horas para dizer obrigado, Deus por essa oportunidade, não só de eu tentar fazer diferente, mas da medicina ter evoluído e eu poder desfrutar dessa evolução científica e ter a cura da minha
[9:06] hepatite C, que foi muito importante no tratamento do câncer de mama, porque o fígado é o que vai filtrar toda essa medicação, né, e vai fazer também essa medicação ser expelida eh de uma forma natural e e trazendo então um melhor melhor reação, né, do meu corpo em relação à medicação. Então, Deus me preparou com relação ao meu fígado para ele estar bem, para receber toda essa carga de medicação que ele recebeu, né? Isso aí. Então, já vi nisso aí uma graça de Deus e eu não sabia que isso seria uma preparação para o tratamento de um câncer. Então, aí junto com isso, eu também estava tentando fazer uma cirurgia plástica, ia fazer particular a Dra. Juliana Kaiser. Ea então me, quando
[9:52] eu fui dizer que eu queria fazer a cirurgia, ela falou: “Gisele, vamos fazer uma bioimpedância para ver como é que tá a tua gordura corporal”. Aí 10 minutosestava acima e ela disse: “Olha, eu te sugiro que tu procure diminuir a gordura corporal antes da gente fazer a cirurgia”. Então, importante também da gente ter médicos assim que se preocupam com o todo corpo, não só em fazer um procedimento e ganhar dinheiro com esse procedimento, mas te orientar para que tu tenhas uma vida saudável. E foi isso que ela fez. E a partir disso eu procurei fazer atividade física com acompanhamento nutricional, mudei minha alimentação e realmente perdi peso. E por ter perdido o peso, eu senti um nódulo na minha mama direita, [risadas]
[10:34] que a a mama é um dos lugares onde mais se acumula gordura e a gordura esconde, esconde. Exatamente. E aí, então quando eu senti, eu ainda estava eh fazendo algum umas visitas à minha gastro, né, por conta eh da da hepatite C. E aí eu disse para ela, eu tô sentindo uma coisa estranha na minha mama direita e aí foi ela mesma que já deu minha requisição para para a ultrassom e para a mamografia. E eu fiz. E aí também a doutora da ultrassom disse: “Olha, tem uma coisa estranha, é um nódulo que tem uma aparência diferente, então a gente precisa fazer uma biópsia”. fizemos a biópsia e deu um carcinoma ductal invasivo positivo para estrogênio, que significa que ele se alimentava de hormônio. E HER2 negativo, que é uma notícia boa ser R2 negativo, mas não
[11:21] significa que se por acaso algum alguma pessoa que nos ouve, nos assiste, tiver R2 negativo, também tem eh bastante chance de cura esse tipo de câncer. Só que claro, ele é um pouco mais agressivo, mas não significa que ele não tenha cura. Inclusive, ele é atestado à cura mais cedo do que o esse câncer hormonal que eu tive, mas se tratado precocemente, né? Então foi a partir disso que eu descobri o meu câncer de mama em todo essa esse processo, emagrecer, melhorar a alimentação, cuidar do fígado e tudo isso me ajudou no tratamento, estar com uma boa alimentação, estar com meus níveis eh de sangue normais assim, né?
[12:01] Nutricionalment, nutricional. Isso. Então isso tudo me preparou para enfrentar o que tinha pela frente que eu não imaginava. Certo. Exatamente. Tu não nem imaginavas como seria o esse tratamento, né? Tu estavas feliz por pela cura de outra enfermidade e aí descobrisse. Exato. E como é que foi? Em que momento que foi na tua vida? Então, eu tava justamente em Porto Alegre, numa feira do livro com as minhas colegas do curso, do curso, não, minhas colegas do clube do livro, né? E aí, então eu recebi uma mensagem do laboratório dizendo que eh o resultado já estava disponível. Eu não esperei ir buscar o resultado, levar no médico. Eu fui ao banheiro e e abri ali
[12:51] então o meu diagnóstico e li exatamente essas palavras: carcinoma ductal invasivo positivo 90% para estrogênio, R2 negativo. Só que quando a gente abre um diagnóstico desse, a gente não sabe tudo isso que eu já contei para vocês antes, que é hormonal e tal, toda essa essa função que a gente vai aprendendo durante o tratamento. Então eu li aquilo e a palavra que saltou os meus olhos foi a palavra invasivo. E aí eu fiquei pensando: “Meu Deus, né, Deus é que sabe de todas as coisas”. Eu, como eu disse, eu eu sempre fui uma pessoa otimista, mas não otimista por otimismo, mas otimista por conhecer a Deus e por saber que ele realmente controla a minha vida
[13:31] e que ele sabe do meu futuro e que ele planeja para cada um de nós sempre um futuro bom, né? E mas claro, ele é que sabe os planos que ele tem sobre nós e ele então nos nos governa, né, e nos conduz. E eu sabia que ele estava me conduzindo para uma batalha, mas eu sabia também que ele estaria comigo. Mas sem dúvida eu tenho que confessar que a palavra invasivo me deu, né, aquele bac, né, porque a palavra invasiva, tá, invadiu meu corpo, né, mas na verdade nesse caso, era invasivo porque ele nasceu num ducto mamário e já tinha invadido para a pele mamária interna, né, e também estaria então justamente ainda na mama e talvez na axila, que também é é bem comum que o câncer invada também os linfonodos da xila. Então era nesse
[14:19] espaço, mas quando tu lê, tu fica lê assim, né? E toma aquele susto. Mesmo com tendo tomado esse susto, o teu, teu pensamento vai sempre assim: “Não, mas Deus é que sabe. Não, eu não vou me desesperar, eu vou esperar. Vamos ver o que que vai acontecer”. Isso é o meu jeito. Eu sei que muitas pessoas não têm essa reação e vão ter realmente eh um desespero que é normal, porque né, a palavra câncer, infelizmente nos remete à ideia da morte, né, a ideia de sofrimento. E de fato a gente tem um sofrimento, muitas pessoas ainda morrem de câncer, mas se a gente conseguir detectar isso cedo, nós temos 95% de chance. E eu com certeza creio que estou nessa estatística dos 95% por conta de realmente já ter passado pelo tratamento
[15:06] e ter tido uma boa reação, e ao mesmo tempo que eu tive essa notícia ruim, né? E eu tive essa notícia por volta das 94, né? 9:4. Eu sei disso por quê? porque o WhatsApp tá lá [risadas] e ali então tava a o horário que chegou a mensagem do laboratório. Então eu tava me preparando para voltar da da feira do livro de Porto Alegre para Pelotas e recebi outra mensagem às 10:14 e essa outra mensagem era da minha advogada dizendo que a segunda aposentadoria eu tinha conquistado. [risadas] Então eu tenho num determinado momento uma notícia avassaladora, né?
[15:49] E 1 hora e 10 minutos depois eu tenho a notícia de que eu me aposentei de novo, que é uma notícia boa, né? Então eu pensei, eu vou precisar desse dinheiro. Deus tá sendo generoso, né, de me conceder essa aposentadoria nesse momento. Mas também eu pensei claramente, com certeza Deus também tá me dando aposentadoria para que eu possa desfrutar dela com saúde. [risadas] Tu és uma pessoa que sempre foste positiva, uma pessoa que encara as coisas com, não, não digo naturalidade tudo, mas com coragem, não é? Eh, então isso te ajudou bastante. Mas essa questão de tu teres fé, teres fé, eh, eh, te deu essa estabilidade para tu
[16:34] enfrentares isso, porque quando tu recebesse a notícia, que sentimento que te que te passou, passou alguma coisa pela tua cabeça? Porque como tu dissesse, há palavras que te impactaram, né, que foi o invasivo. Invasivo já a palavra câncer já é já é dolorosa, né? Agora, câncer invasivo dói mais. O que te o que te passou pela cabeça? Olha, na verdade a gente sempre tem que falar a verdade que poderia a ter a possibilidade da minha morte, sem dúvida, né? Então, câncer, infelizmente, tem essa possibilidade, essa possibilidade, né? Mas eu também por conta da minha fé, a gente sabe que tudo tem solução. Às vezes as pessoas diz assim: “Tudo tem solução” menos a
[17:19] morte. Ã, tudo tem solução, inclusive a morte para quem crê em Jesus, né? Que morreu na cruz para nos dar a vida eterna, para nos dar a salvação, que é a vida eterna. Então eu creio nisso, apesar de ainda querer viver muito aqui na terra, [risadas] eu crie creio nisso. Então naquele momento eu pensei: “Poxa, se chegar a minha hora, Deus, tu que sabes, né? Mas ã eu quero viver, eu quero, eu quero, eu quero que tu me ajudes, né?” Eu foi que eu pensei assim para eu enfrentar isso. Eu tenho, eu não sei o que que vai acontecer. Para mim isso tudo é muito novo e é como abrir-se um buraco na minha frente e eu, puxa, como eu passo por isso agora? Mas eu sabia que Deus estaria comigo. E isso então me fez ter forças para enfrentar, para contar para minhas colegas lá do clube do livro que
[18:03] eu ia ter que ir embora por conta de um diagnóstico desfavorável, né, e pensar, eu preciso ir para casa para contar pros meus familiares. E eu sabia também que ele seriam o meu esteio, que eles seriam a minha base para me dar força para enfrentar tudo isso também. Então, conhecer a Jesus e ter a Jesus verdadeiramente como meu companheiro, como meu senhor, fez toda a diferença, porque mesmo que não acontecesse aquilo que eu esperava que acontecesse, eu sabia que ele estaria comigo. E então não adiantava nada eu ter a cura do câncer e não ter a vida eterna em Cristo Jesus, né? Então eu já tinha o melhor que era a vida eterna. Então a cura do câncer é um plus que Deus me deu, [risadas] pelo que eu sou muito grata.
[18:46] quando tu hã recebesse essa notícia, tu tá está bem, ficasse impactada e tu sabias que ia ter que contar paraas pessoas que tu amas. E as pessoas que a gente ama parece que é eh elas sofrem junto com a gente, a gente sabe que eles vão sofrer. E como foi esse momento? Uhum. Então eu eu queria proteger alguns, né? Porque na família da gente a gente conhece todo mundo, né? Então a primeira pessoa com quem eu falei foi a minha irmã, a Dirce, que ela tem uma postura parecida com a minha. Então, eh, foi para ela, a primeira pessoa que eu falei ainda lá em Porto Alegre, dizendo que eu estava voltando, porque ela sabia que eu tinha feito a biópsia, né? Então eu já dis disse a ela que eu estava voltando e que o diagnóstico foi esse, mas primeiro eu contei da aposentadoria
[19:37] já para deixar vai dar tudo certo. E aí depois eu contei do câncer. Então a gente sempre teve essa essa postura de encarar as dificuldades de frente, né, e de enfrentar o que tiver que enfrentar. Então eu falei para ela primeiro, depois falar pro meu marido que ele então tem uma vida com Deus mais recente, né? Então ele não tem a mesma base que nós tivemos, eu, minha irmã, meu irmão. Então com ele eu tive um pouco mais de tato e falei pessoalmente aqui quando eu cheguei, né? Até porque ele esperava que eu fosse chegar no domingo e eu cheguei no sábado de manhã. Então mudou e eu tive que contar por que mudou. Ele é por que que tu voltou? A não aconteceu isso, isso, né? Então eu tive mais eh tive mais um cuidado com as palavras com ele e também a minha filha que que estava
[20:19] morando no interior de São Paulo, em São Joaquim da Barra, para ela também eu não contei nesse nesse período. Eu fui contar só depois que eu já estava encaminhada com exames e com tudo, né? Porque o que que adiantaria ela saber de um câncer a quilômetros de distância sem já ter um encaminhamento e até encher a cabeça dela de coisas, né? Então eu tive o cuidado de esperar. E aí quando eu contei para Dirce, né, que é minha irmã, ela já contactou com a minha cunhada, já contactou com o meu irmão e aí ela me mandou mensagem se à tardinha eu estaria em casa. Disse que sim. E aí eles já foram lá em casa pra gente conversar, pra gente orar, né? E e a Dir também é uma pessoa que ela sabe de tudo, assim, se a gente precisa ah, do encanador, ela sabe ou ela conhece alguém que saiba, né? Alguém que faz determinadas tarefas,
[21:07] né? E também com os médicos, a mesma coisa. Eu até assim tem uma dor na barriga, que remédio que que remédio tu pode tomar, que remédio tu não pode tomar, essas coisas ela sabe. Então eu sabia também que ela ia me ajudar nesse encaminhamento, nesses primeiros passos. E foi assim também, irmã mais velha no É isso aí [risadas] que cuida da irmã menor, se preocupa com ela. Exato. E neste período que tu tá que tu recebesse a notícia, houve algum momento que tu ficasse? É natural, não é que ficasse eh chorosa, aquela aquele momento de raiva, não com Deus, não é? Mas aquele momento de de colocar para fora aquela tristeza, porque dá uma tristeza de tu saberes que tu vai ter que enfrentar algo tão difícil, né? Quando eu penso naquela
[21:51] passagem, né, de que ah que de Jesus chorou o sangue de chorou lágrimas de sangue, gotas de sangue, caíram até o chão de tanto sofrimento que ele teve, nós temos consciência de que o o sofrimento que passamos não é nem um centésimo do que ele passou. E mesmo assim esse sofrimento esse sofrimento atinge a nossa alma, né? Verdade. Então eu h eh eu não sei, acho que foi a minha mãe que me fez isso assim. Eu sempre controlo meus pensamentos, sabe? Procuro controlar meus pensamentos. Então, eu não tive um pensamento assim, inicialmente de total tristeza ou de dizer com Deus assim, por
[22:30] que comigo? Ao contrário, quando eu abri também esse diagnóstico, eu pensei assim, por que não comigo, né? Eu conheço várias pessoas que já passaram por isso, que já tiveram tratamento, como tu, né, e como outras pessoas aqui da igreja também, como pessoas da família. Então eu pensei, puxa, se acomete a tantas pessoas, por que não ia acometer a mim, né? É uma uma coisa que acontece com todo mundo, [limpando a garganta] mas é claro que teve e também não fui chorosa também. Minha mãe que me ensinou isso também, com certeza a dominar minhas emoções, nem sempre de uma forma positiva, né? [risadas] Tipo assim, não chora, engola esse choro. Então eu aprendi muito a engolir o meu choro, que nem sempre é bom, não é bom, né? Mas mas às vezes assim com outras pessoas, tava lá com pessoas eh assim não tão íntimas, né, para contar do meu câncer. Então eu eu consegui controlar minhas emoções ali e
[23:22] pude ter mais eh dar vasão, dar vazão à minha as minhas emoções com os meus familiares, mas principalmente foi no domingo à noite na igreja aqui. Eu me ajoelhei aqui no altar e chorei muito. E aí eu disse para Deus, eu vou chorar de novo porque eu aprendi também a dar vazão às minhas emoções. Eh, eu estou com medo. Eu disse para Deus, eh, estou com medo. Eu estou com medo e não sei o que que vai acontecer. Eu não sei nem para onde ir, eu não sei o que fazer, né? Então, mais do que tudo, era medo que eu tava sentindo do que eu do que eu ia descobrir, porque a gente fica pensando que o câncer pode estar em outras partes do nosso corpo. Será que tem metástase?
[24:06] Será que não tem metástase, né? Então eu disse para Deus que eu estava com medo, mas que eu sabia que ele ia me mostrar o caminho. E isso era domingo. E eu sabia que ele ia me mostrar o caminho. Segundo eu sabia que ele ia me mostrar o caminho, né? Mas eu também não sabia qual seria o resultado desse caminho. Então até isso me dava medo. E eu então confessei o meu medo para Deus e ele acolheu o meu medo e me fortaleceu então pra segunda-feira e pra semana que viria, né? foi naquele momento. Só que assim, [roncando] eh, Deus foi muito generoso comigo e e aqui em Pelotas, assim, eu tenho um plano de saúde que não cobria químio e
[24:49] nem oncologista, essas coisas. Então, acabou que a gente procurou aqui particular e mesmo assim eu conseguiria agendar a consulta só dali uma semana, duas semanas e a gente tinha pressa. Então a gente foi para Porto Alegre porque a minha mãe se tratou de câncer em Porto Alegre e a minha irmã então conhecia um oncologista lá da mesma clínica onde a minha mãe tinha o oncologista dela. E a gente foi lá consultar com o Dr. Luís Felipe Schimit. E ele então foi muito didático e me explicou totalmente assim tudo que eu poderia ter e passar. Mas antes disso a gente foi no ginecologista daqui levar o resultado da minha biópsia e ele também já me deu todo o encaminhamento de tudo
[25:33] que é tipo de exame que tu pode imaginar. Tomografia, ressonância, cintilografia, exames de sangue, exame de coração. Me me virou do avesso, né? E eu então nesse tempo, antes de chegar em e estar em Porto Alegre, eu já fui fazendo tudo que é exame. Em uma semana eu tinha o diagnóstico de que eu não tinha metástase em nenhum órgão, né, de que eu estava saudável para enfrentar saudável, né, para enfrentar o câncer. Então eu cheguei em Porto Alegre com todos os exames prontos. Isso também facilitou muito. Ah, e acelerou, né? É. E aí, então tudo no tempo, né? ter conseguido todos os exames foi maravilhoso. E na outra semana eu já consegui consultar lá em Porto Alegre com o Dr. Lu, Dr. Luiz Felipe. E com esses exames ele me ensinou o que que tava acontecendo comigo baseado em fatos reais que eram os meus os meus exames
[26:22] ali, né? E o meu e aí ele falou: “Bom, mas eu não posso decidir sozinho como vai ser o teu tratamento. Eu preciso de um mastologista que em conjunto, né, que hoje em dia a medicina é assim, né, tem uma equipe que decide. Então, eh, ele me deu dois nomes em Porto Alegre para eu procurar de uma doutora e de um doutor. E aí a minha irmã disse assim: “Vamos ver quem tem mais experiência”. E a doutora tinha uns 5, 6 anos de experiência e o doutor tinha 18 anos de experiência. E aí nós fomos então consultar com o Dr. Mário Shor e ele era um mastologista, mas ele também é um cirurgião plástico. E isso também foi outro presente de Deus. Eu não fui procurar um plástico, eu fui procurar um mastologista e só que ele era umlástico e eu nem sabia. E quando eu consultei com ele, ele disse
[27:06] assim: “Gisele, tu vai sair desse câncer melhor do que quando tu entrou. Eu vou fazer a tua cirurgia plástica. Eu vou tirar o teu tumor e vou fazer tua cirurgia plástica. Então tu vai te sentir muito melhor.” Para vocês terem noção do quanto eu precisava dessa cirurgia plástica, foram retirados 2,3 kg das minhas mamas. Então realmente elas eram volumosas, né? Então foi muito interessante. Aí inclusive esse doutor ele era, ele é muito pra frente e ele me deu essa camiseta que eu estou usando que é a cura é o ponto de partida. Rafa a cura é o ponto de partida. E foi isso que ele me disse que a cura é o ponto de partida. Então nós nós começamos o tratamento a partir da cura,
[27:49] crendo na cura. Então eu nem sei qual é a fé que ele professa, mas o que ele disse tem tudo a ver, porque a cura é Jesus. E Jesus foi o meu meu meu meu ponto de partida desde sempre, né? Então, ter mais essa essa força, né, dele, essa essa fala dele, essa positividade, essa postura dele, né, eh, foi muito importante, né, e ele não largou a minha mão depois da cirurgia, ele ainda me chamava para consultas que eu pensava nem precisava, né, mas ele tinha aquele aquela preocupação, porque a gente também fica ã sensibilizada, sensibilizada e dependente até. Isto. Então ele ele disse que as mulheres elas ficam órfãs, né, até depois da cirurgia, até começar a químio e agora fico perdida nesse tempo, né? E ele então me acolheu de uma
[28:34] forma muito legal. Eu fiz minha cirurgia no dia 27 de novembro de 2025. Quero dizer que aquele dia que eu li o diagnóstico foi no dia 8 de novembro. Então, no dia 27 de novembro, eu fiz a cirurgia e retirei. Então, na nos exames aparecia um nódulo de 2,5 cm e na cirurgia foram foi retirado um nódulo de 6 cm para ver como a mama densa realmente não permitiu, né, eh, um diagnóstico preciso do tamanho do tumor. E e para dizer 6 cm, porque muitas vezes eu já encontrei nesse meu nesse meu processo aí pessoas com com um nódulo de 3 cm, de 2 cm, de 1,5 cm apavorados.
[29:15] Calma, o meu tinha 6 cm e foi possível tirá-lo com margem de segurança e tudo tranquilamente. E claro que quanto menor, melhor, né, pessoal? Mas e no meu caso foi assim. E eu também positivei nódulos daxila, então foram tirados 11 linfonodos e quatro positivaram. Com isso, o tratamento tem outra outro viés, né, porque tem que ser mais completo e mais forte por conta de ter eh atingido axila, né? Mas nada que não que não possa sair bem disso. Mas eu quero falar ainda da questão da axila, né, que por ter eh positivado e ter sido retirado, né, eh mexe com muitos nervos, né, dessa parte aqui. E muitas mulheres têm dificuldade de fazer esse movimento por
[30:05] muito tempo, porque se cria um cordão fibroso porque mexe e os nossos nervos se imagina tocar no nervo dá. Lembra assim quando a gente vai fazer tratamento de canal que se toca no nervo, dá aquele aquele choque, né? Um choquezinho, mas tu imagina vários nervos que eles mexem aqui para encontrar esses linfonóos que são pequenos, né? Mexem aqui bastante e isso tem uma um sintoma que essa essa pode ter esse cordão fibroso. Então é importante fazer fisioterapia, né, para que tu consiga ter os teus movimentos, mesmo que esse cordão comece a se a se formar, né? no meu caso não se formou, graças a Deus. Tu tens que ter força e
[30:45] buscar essa e para que tu tenhas, então, depois uma movimentação mais normal possível. É verdade que por longo tempo a gente vai sentir uma sensibilidade aqui no braço, mais aqui nessa região, por conta desses nervos, né? Mas é normal. Inclusive o IBA aqui em Pelotas, eles têm um coraçãozinho, uma almofada de coração que no início, quando começa a doer aqui, tu acha até que o que tá doendo é a tua mama. A gente porque reflete, na verdade, por ser nervos, né? Reflete aqui na mama. Aí tu já começa a pensar: “Meu Deus, tá me doendo a mama, que que é isso, né?” Então é importante a gente procurar o IBA também ou até existem instituições, outras que dão, outras que vendem, né? E eu usava esse coraçãozinho, né? aqui, porque esse formato do coração fica uma parte do
[31:32] coração aqui, outra ali e encaixa bem embaixo do braço, não encosta e acaba que tu percebe que a dor não é na mama e sim no teu braço. Então isso te alivia o pensamento, né, e o sentimento e e te faz lembrar, né, de estar sempre cuidando essa parte aqui, né? Então, foi isso. Como foi esse esse tratamento? Quando tu souberess, ele ele o médico já te disse, ó, vais ter que fazer quimioterapia, 32 minutosradioterapia, que a quimioterapia as pessoas acham que a a químio é terrível e que a rádio não não dá problema, mas não é bem assim, não é? Quando a pessoa enfrenta, aí ela descobre que ambos são
[32:15] são muito fortes para um um ser humano, né? Tanto o o que é introduzido na corrente sanguínea, como a radiação, né? Uhum. que depois tu não pode passar por um contador gag na rua. Mas então, como foi? Então, eh, tanto o oncologista que eu conversei lá quanto o meu cirurgião, eh, os dois disseram que sim, que eu teria que passar pela quimioterapia e também pela radioterapia por conta do tamanho do tumor e por conta ã da da axila, né, do esvaziamento da axila. Então, eh, lá eu tive a graça de fazer a cirurgia particular por conta daquilo que eu já contei para vocês. Eu estava me preparando para fazer uma cirurgia plástica aqui. Cirurgia plástica aqui seria particular, né? Então, eu tinha um valor que ao invés de ser usado para cá,
[33:06] foi usado então para para a retirada do câncer e que pela graça de Deus já consegui fazer a cirurgia também. Então, foi uma bção. E aí eu teria então que fazer a quimioterapia pelo SUS. E o meu oncologista, ele já tinha até me falado que tipo de quimioterapia eu faria e quantas, inclusive a quantidade, e me disse eh as medicações que seriam usadas. E eu vim então para para Pelotas e entrei na fila do SUS. É importante falar que a gente precisa ir a um posto de saúde próximo da nossa casa, levando um atestado médico que diga que a gente possui então o determinado tipo de câncer que a gente ven, né, no meu caso,
[33:47] carcinoma. E esse esse laudo precisa ser ou de um oncologista ou do mastologista, de ginecologista não serve, né? Então, levando esse laudo, tu entra num sistema do SUS que ele vai contar ali os dias e a gente vai poder acessar via internet esse sistema para ver quantos dis tu tá na espera. Existe também a lei que a gente precisa ser atendido em até 60 dias. Então, se alguém por acaso está passando por isso e ainda não foi chamado até passou de 60 dias, precisa buscar os seus direitos. às vezes simplesmente chegando no posto e dizendo isso ou chegando no no na instituição que faz,
[34:31] né, a quimioterapia, que no meu caso é o Ser, mas também poderia ser a FAMED, chegar e dizer: “Olha, já tá passando o meu prazo, tem que ser feito alguma coisa”. Às vezes só isso pode adiantar ou às vezes tu vai precisar buscar os teus direitos na Defensoria Pública ou ali na APC também é uma instituição que te orienta com relação a isso, né? Então é muito importante. Existe também uma lei de que o diagnóstico tem que ser feito em 30 dias. Então, às vezes a pessoa não tem condição de pagar uma biópsia, de pagar um exame. 35 minutos[limpando a garganta] Eh, então ela precisa também buscar os seus direitos, que isso tem que acontecer em 30 dias o diagnóstico, né? Bom, então eu levei essa documentação no postinho e fiquei na espera. A espera também é algo porque tudo se desenrolou muito
[35:16] rapidamente, como eu contei a vocês, os exames, o diagnóstico, os exames, a cirurgia e agora, né, 27 de novembro eu fiz a cirurgia e tive que esperar. Foi no dia 6 de de fevereiro, imagino, de novembro, mas no fim de novembro. Então eu esperei dezembro, janeiro e no início de fevereiro eu já Quase fechou os 60 dias. É, quase fechou os 60 dias. Aí eu fui chamada ã para fazer uma consulta. E aí então consultei com a Dra. a Daniela Palmeiro, que é do Ser, uma oncologista muito boa. E chegando lá, eu quero contar uma coisa interessante que aconteceu, detalhes. Eu quero dizer que a gente tem que encontrar detalhes positivos no meio de toda essa esse turbilhão. Então, eu tava tinha saído de uma cirurgia particular e cheguei então no ser que é pelo SUS. E é
[36:06] tudo é muito bem feito lá também, mas acontece que o ambiente é outro, né? Então, eh, eu estava lá meio perdida nesse ambiente e ainda esperando para ser atendida. E ouvi uma voz que disse assim: “Oi, profe”. E eu levantei a cabeça e olhei, era uma aluna minha que eu olhei para ela, disse: “Martina, eu sei o nome dela, eu me lembro da mãe, do irmão, do pai, de onde ela mora, de como era a letra dela, de tudo, sabe?” E ela falou: “Ai, que bom te encontrar. Como é que tu tá? O que que aconteceu?” Aí eu contei para ela dis assim: “Eu sou a enfermeira da oncologia aqui do Ser, ou seja, ela me acompanhou durante todo o meu tratamento. Então é muito bom a gente ter alguém conhecido nesse
[36:45] momento, né? Eu me senti segura”. Então encontrar a Martina foi um presente de Deus para mim, né? Que me fortaleceu e que me fez pensar: “Aqui também é o meu lugar, aqui eu também vou ser bem tratada”, né? E eu fiquei muito feliz com isso. Bom, e só comentando que Deus sempre coloca as pessoas, ele coloca as situações para que o melhor seja feito pra gente. Uhum. Mas independente disso, você não precisa se preocupar, porque quem trabalha com oncologia, é verdade, são pessoas diferenciadas. Você pode ter certeza que onde que é que você vá, os enfermeiros, a os médicos também e quem não gosta de e quem não gosta de pessoas e não quer ver o melhor para elas, nem trabalhe nessa área, porque todas as pessoas que eu vi, elas eram extremamente dedicadas e e sensíveis
[37:38] àquela situação que cada paciente era único. Sim, é verdade. Então, por conta de ter esse conhecimento com a Martina, aí quando eu fui fazer minha primeira químilo, ã, eu já era conhecida. As pessoas dizem: “Ah, essa aí que é a teacher da Martina.” E aí eu não sou professora de inglês, né? Mas aí ficou esse meu apelido lá. Todo mundo me chama de teacher dentro do seram. E até o outro enfermeiro que [limpando a garganta] chamava as pessoas, abria a porta lá para chamar, não chamava Gisele, chamava teacher. Aí os outros ficavam me olhando, né? O que isso? Aí eu tava lá na quimioterapia, eles começavam: “Ah, foi a professora da Martina, mas não adiantou porque ela fala tudo errado, ela fala chiclete, chiclete, não sei que ela.” Então eles
[38:20] procuram, né, brincar, fazer um clima assim, né, mais leve e isso é muito, muito bacana mesmo, sabe? E todo mundo preocupado contigo. Quando a gente vai fazer a quimioterapia, a primeira vez, OK, às vezes com o tempo, as tuas veias elas ficam um pouco escondidas, como eles dizem, né? Então eles vão tentar fazer o acesso e tem dificuldade, né? Vão vão vão picar uma vez, duas, três. E aí eles ficam todos cheio de dedos. Ai que coisa, né? Que a Mas eu dizia: “Não, não tem problema”. Mas eles tinham todo um cuidado, né? Para que tu não sentisse dor naquele momento. Até a picadinha, né? que enfim que no no fim é das do dos males menores
[39:03] aquade. Então, eh, realmente tem todo esse acolhimento, né, né, nesses ambientes, né, com essas pessoas que Deus prepara, eu acho mesmo, para para estarem ali e para lidar com todo tipo de pessoa também, com vários tipos de câncer que são tratados ali. Eh, a minha médica então me prescreveu 12 quimioterapias brancas, quatro vermelhas. E aí eu perguntei para ela, por que primeiro as brancas? Porque lá em Porto Alegre meu médico havia dito que seria primeiro as vermelhas e ela falou assim: “Pela pela tolerabilidade”. Os médicos gostam de falar umas palavras assim, mas claro, né? Para que é mais tolerável. A quimioterapia branca é é dito assim que ela é mais tranquila, né? Não é aceitável, mas claro que ela também é bastante forte. E
[39:49] depois então a vermelha. E ela disse então que eu não iria me debilitar tanto e que depois então eu estaria mais acostumada, né, com com as quimios para enfrentar a vermelha. Eu achei interessante, né, essa esse jeito que ela decidiu fazer e ok. Então, hã, eu fiz 12 brancas a partir da na primeira quím, eu não senti muito. Eu quero dizer também que Deus foi generoso comigo, que quando eles começam a injetar, eles injetam primeiro uma medicação antienjoo e um antialérgico. E nessas medicações eu já apagava, eu dormia, eu queria ficar brincando com o pessoal, falando bobagem, eu levava livro, levava coisas para fazer e nunca
[40:33] fiz nada porque eu apagava e só acordava quando terminava a medicação que eles viam mexicam, Kit, tá roncando, tipo, [risadas] não tava arroncando. Acorda que tu tá roncando. Eu nem sei se eu tava roncando ou não, porque eles brincavam tanto comigo, eu acho que era brincadeira. Ninguém gravou nada para me contar. [risadas] Então aí eu acordava, né? Então Deus foi generoso com esse meu organismo nesse sentido. E aí então eu ia para casa. Na 41 minutosprimeira eu não senti nada, na segunda eu não senti nada. A partir da terceira, então por conta do acúmulo da medicação no teu corpo, que eu comecei a sentir alguns sintomas e e não foram muito agradáveis. Eu tive ã uma sensibilidade gastrointestinal,
[41:19] porque a quimioterapia ela ela ataca as células de crescimento rápido do nosso organismo e também a mucosa gastrointestinal. Então as nossas unhas ficam mais fracas porque é uma célula que cresce rapidamente. Os nossos cabelos também começam a cair porque é uma célula que cresce rapidamente. Então aqui meio não tem como distinguir qual célula é cancerígena, qual não é. A que cresce rapidamente. O câncer é uma célula que cresce rapidamente desordenadamente. Então ela ataca tudo isso e a mucosa também. Eu sentia uma ardência no isôfago e também tive uma sensibilidade intestinal que parecia que eu estava sempre com
[42:01] vontade de ir no banheiro. E os médicos chamam isso de ter mesmo, que tu vai e na verdade tu não tá com vontade, tu não tem nada para fazer, mas tu vai, sabes? É como se tu tivesse com uma dor de barriga e tu chega lá e não é. Às vezes era, às vezes não era. Então é uma coisa que fica bem desconfortável, porque ah, eu venho, vou sair, tenho vontade do banheiro. Ah, não é nada, mas de repente pode ser, sabe? Então tu ficava naquela coisa e quando eu ia não era nada, tinha uma ardência, porque tu acabava forçando ali uma coisa que não era e saía também uma gosma transparente. Então é justamente essa coisa desse tenismo aí que é essa vontade de ir sem realmente ser. Então te deixa eh sem vontade de fazer as coisas, né? Porque tu fica um desânimo. É. Desânimo.
[42:49] E também um cansaço no corpo que ele é inexplicável. Hã, de tá deitada e e continuar cansada. Um cansaço, um cansaço, um cansaço inexplicável mesmo. Ã, sensibilidade na sola dos pés, sensibilidade na ponta dos dedos, que eu tenho até hoje uma sensibilidade assim. Hã, então, mas o que me deixou mais assim foi essa coisa do gasto intestinal, porque se tu vai num lugar, tu fica desconfortável de ter que tá indo no banheiro toda hora, essa coisa assim, e tomar medicação, até eu poderia tomar um IMOSEC e que às vezes eu tomava se eu ia sair para eu não ter que tá assim indo ao banheiro e e desconfortável, mas passado o efeito de Mosé que isso voltava porque é efeito da
[43:34] quimioterapia. Então o que acontece? A gente faz a químio e no primeiro dia tu não vai sentir nada, no segundo dia tu não vai sentir nada. No terceiro dia tu vai sentir fortemente por uns três dias. Então aí já passaram cinco dias. Quando passar dali a um dia tu vai fazer químio de novo, porque era uma químio semanal. Ah, é tua foi uma semanal. É, as brancas eram semanais. Então tu melhorava e sabia que daqui uns dias tu já ia ficar ruim de novo, porque tu ia 44 minutosfazer de novo a quimioterapia. Mas era do jogo, né? E, e assim, os meus sintomas eles não foram legais, mas as muitas pessoas têm, infelizmente, sintomas piores, né? Às vezes são vômitos, né? Diarreia mesmo, porque o meu não era era o sentimento de
[44:16] diarreia, mas não era. E e outras coisas, as pessoas podem ter feridas na boca. Aconteceu que eu tive herpes porque baixa a imunidade, né? E eu já tinha por conta já tinha tido e quando a gente tem pode voltar, né? É um é um vírus que não tem cura. Então, hã, eu tive bastante epis na náda, que era uma coisa ruim de sentar, né? Enfim, aí nisso eu encontrei um Dr. Víor Oliveira, que ele é homeopata e ele me deu um pozinho e esse pozinho fez secar a as herpes e eu fiquei por muito tempo sem ter. Até eu descobri, eu tive várias vezes, mas depois que eu descobri isso foi muito bom, porque também não é bom a gente ficar se automedicando, né? Sim. E ainda ainda mais nessa condição e e já já tendo assim uma uma dose muito
[45:04] forte de medicação, ainda tá tendo outras por tua conta de forma alguma. Tudo que a gente toma, a gente precisa ter o aval do oncologista. E eles também nos dão uma lista. Ah, se tu sente enjoo, o que que tu pode tomar? Se tu tem prisão de vento, o que que tu pode tomar? Se tu tem um diarreia, o que que tu pode tomar? Então, tu já tem ali. E se persistir, tem que buscar o atendimento, tá? Mas o oncologista ele não tá totalmente à tua disposição no SUS, né? Mas eles dizem, procura um um clínico geral, né, num postinho, numa UPA, enfim, é importante que a gente siga essas orientações. Bom, eu tive então esses sintomas. Outro sintoma que é importante eu falar é a perda do cabelo, né? Então também não acontece de
[45:47] imediato. Para mim foi acontecer após a terceira quimio, a a terceira quimioterapia. Então, acho que a terceira foi por volta do dia 27 de fevereiro e no dia 2 de março eu 46 minutosdecidi cortar o cabelo porque assim cai aos poucos, sabe gente? Mas é muito desagradável tu tá aqui já vai ter um cabelo, aí no sofá tu vai ter o cabelo, no teu travesseiro vai ter cabelo, aí tu vai fazer almoço, tu tem que te cuidar porque, né, tá caindo cabelo toda hora. tu vai tomar banho. E eu tinha cabelo crespo, comprido, então eu penteava o meu cabelo no banho porque fica muito enredado e tal. Aí então a tua escova, eu tenho até uma foto no meu Instagram da minha escova tapada de cabelo assim, então é algo que vai te tu fica te remoendo com aquilo, né? Tá caindo, vai
[46:34] cair, vou ficar careca. Então eu resolvi enfrentar. Só que claro, eh eu tive o meu tempo de luta, eu fazia quimioterapia. Até interessante dizer que o horário da MQMO era 13 horas, né? Lembro do horário das 13 horas lá do meu celular que despertava, que eu dizia graças a Deus. Então, até hoje também lembrar das 13 horas é lembrar que era o horário que eu tinha que estar para fazer aquilo. Não começava às 13 horas porque SUS demora um pouco mais, né? Mas era aquele marco, aquele horário, né? A minha cirurgia também foi às 13 horas. [risadas] Então tem isso, né? Mas o meu cabelo então começou a cair e eu pensei, eu vou ter que cortar. Eu chorei muito em casa nesse tempo assim, um luto pelo cabelo.
[47:17] E é claro que tem a questão da autoestima, tem a questão da estética, tem, mas no meu caso, o que que tava me pegando assim? Eu sempre fui uma pessoa de não contar os meus problemas, de não falar das minhas dificuldades, não é? Então eu sabia que ter minha cabeça rapada, quem me olhasse poderia pensar: “Tá com câncer”. [risadas] E eu não gostaria de ter esse estigma de ver as pessoas me olhando e me identificando como alguém de tratamento oncológico. Eu não queria isso. E também eu pensava: “Ah, se eu emagrecer, se eu ficar com olheiras, se eu ficar debilitada e mais careca, né? Então eu vou est com aspecto de doente, todo mundo vai saber que eu tô doente. Então eu não gostava disso, né? Só que incrivelmente
[48:06] isso foi muito importante. E eu vou dizer como é que isso que eu descobri que isso foi importante, porque eu pensava assim: “Ah, vou cortar, todo mundo vai me olhar.” E eu quis antecipar isso, eu vou contar antes para todo mundo. Ah, isso aí é algo que justamente é um é um algo que eu quero que tu fales para todos sobre esse teu, essa tua decisão de dividir uma fragilidade tua com tantas pessoas. Sim. que se identificaram com essa essa tua história, né? Ex. Então, na verdade não foi a minha ideia dividir com as pessoas. A minha ideia inicial não foi essa bondade. A minha ideia inicial foi me proteger.
[48:47] Sabe por quê? Porque então ao invés de eu perceber o olhar das pessoas, eu já me mostrei antes, né? É, é, essa foi a intenção. Então eu fui pro Instagram e contei que eu tinha tomado decisão ainda com os meus cabelos. Se olha, eu tomei uma decisão, meu cabelo tá caindo e eu vou cortar o cabelo. E aí eu contei que na isso foi sábado e domingo, chorei bastante em casa e na segunda de manhã eu resolvi que eu ia cortar. Falei com a minha cabeleireira, que inclusive é mãe de dois alunos que eu tive, então ela virou minha amiga por conta disso. E eu fui numa loja de perucas porque eu pensei, se eu não me sentir bem, se um dia eu acordar de manhã e tiver muito magra, porque a ideia de uma pessoa com câncer é uma pessoa debilitada, né?
[49:35] Então eu fui e comprei a peruca e aí antes de comprar eu experimentei várias e tirei fotos, né? E aí eu pensei, pô, isso é divertido, gostei porque quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa que tem uns gostos às vezes diferentes, né, para me vestir e para me me mostrar assim, né? Então eu achei que eu poderia usar vários tipos de peruca, não só, e que eu não poderia, não precisava até usar peruca como se eu tivesse cabelo, não. Usar peruca usando peruca para que todo mundo saiba que era uma peruca e que hoje em dia se chama lace, né? Então eu experimentei várias laces e me senti bem com vários tipos de lace. E eu falei: “Eu vou comprar”. Comprei uma inicialmente aí, ã, eu levei essas fotos
[50:16] para casa e pensei: “Eu vou fazer um vídeo falando que eu decidi cortar, falando que eu experimentei as perucas e depois ainda vou agregar o momento em que eu cortei o cabelo nesse vídeo.” E aí, nesse vídeo, eu contei tudo isso e mostrei, me mostrei careca. E quando a minha amiga cortou meu cabelo, eu gostei, sabe, de ser careca, mas eu tava me protegendo para o futuro, porque eu gostei naquele dia que eu tava bochechudinha, que eu tava corada, né? [risadas] Mas poderia que eu estivesse depois debilitada e careca, eu não ia me gostar. Então eu já tinha aquela peruca como uma segurança. E se alguém estiver atravessando isso, que vá perder o seu cabelo, também se permita experimentar isso, né? Experimentar usar uma lace,
[51:00] 51 minutosuma peruca. Hã, eu comprei várias pela internet, mas também comprei aqui em Pelotas uma loja que se chama Oi Bonita, que tem um preço acessível, né? Eu comprei perucas por R$ 100, sabe? Eu acho que é um preço acessível. E também no dia que eu cortei, eu tomei a decisão e e a minha amiga, que é cabeleireira, amarrou meu cabelo. Isso também é legal. antes de cortar, ela fez várias colinhas no meu cabelo e aí ela cortava aquela colinha e por estar amarradinho ficavam mechas para eu levar para uma conhecida minha que também é minha amiga lá em Canguçul para fazer uma peruca com o meu próprio cabelo. Então eu pensei em tudo, né? E talvez você possa pensar também ou fazer como eu estou contando aqui, amarra o cabelinho em várias colinhas e
[51:49] corta de modo que fique preso já o teu cabelo ali organizado. E com isso vai ficar mais fácil de alguém fazer uma peruca com o teu cabelo ou de tu doar para alguém, né, que vá fazer uma peruca. O IBA pega esse tipo de coisa, pega essas mechas e tem pessoas que fazem peruca para eles lá para que o teu cabelo possa ser reutilizado para outra pessoa, se não para ti, para outra pessoa, porque aí sim, uma peruca feita de cabelo humano, ela é um pouco mais cara, né? Então, eh, eu fiz isso e quando eu expus, então, a minha fragilidade, foi uma coisa fantástica assim de quantas pessoas me chamaram no Instagram para dizer que estavam passando pela mesma circunstância e que viam então em
[52:33] mim, como eu enfrentei isso, uma esperança e que viam em mim então um estímulo para também enfrentar. E e a partir disso eu conseguia conversar aí já no particular com essas pessoas e dizer do que me sustentou por dentro, né? E contar do que me sustentava por dentro, que que foi a minha fé, sem dúvida nenhuma, né? E a fé ela, a gente conhece a Deus, a gente sabe que a fé ela vem pelo ouvir e o ouvir da palavra de Deus. Eu ouvi a palavra de Deus desde o ventre da minha mãe, por isso que eu digo que eu sou privilegiada. Mas hã eu ouvi também conscientemente de que aquilo era a palavra de Deus a partir do, vamos dizer, vamos dizer assim, a partir dos 6 anos que a gente entende mais, né? Porque meus pais me traziam a escola bíblica, eu ouvia histórias bíblicas e aos 11 anos me
[53:23] decidi pelo batismo, entendendo que Jesus era Jesus, entendendo que ele era o meu salvador. Então, todas as palavras que ouvi entendendo, porque às vezes a gente ouve sem entender, porque a palavra de Deus ela ela é uma loucura mesmo. É a [risadas] pessoa não é e a própria palavra diz que a palavra da cruz é loucura, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus. Então, ouvir a palavra é o poder de Deus. Então, ouvir a mensagens bíblicas e hoje isso tá disponível para nós de uma forma muito grande, né, pela internet, pelas redes sociais, ouvir palavras. Então, isso é muito importante. O que que tu vais ouvir
[54:01] quando tu estás passando por uma dificuldade, quando tu estás passando por um diagnóstico de câncer, o que que tu vai ouvir? Notícias ruins, né? eh coisas que não te agregam, que não te sustentam, pelo contrário, te deixam prostrada. Não, eu decidi, eu já ouvia, mas eu decidi ouvir cada vez mais a palavra de Deus, eu mesma lendo, através de louvores, de músicas que trazem a mensagem de Deus, né? Isso tudo vai te sustentando por dentro e te fazendo passar por uma dificuldade tão grande de uma forma extraordinariamente em paz, né? Então isso faz toda a diferença. E os médicos vão dizer também que a gente precisa se ajudar, que a gente que a nossa mente vai nos ajudar se a gente pensar coisas boas, se a gente pensar coisas positivas e que não existe nada mais bom e positivo do que o
[54:52] amor de Deus para a nossa vida. Saber que a gente é amado. E eu sabia que eu era amada por Deus, né? E eu e pude ver o 55 minutostamanho ainda maior do que eu imaginava do amor de Deus para com a minha vida. de modo que eu pude eh dividir esse amor com outras pessoas no momento do tratamento, quando eu sentava do lado de alguém, né, quando eu sentava na no momento da espera ali conversando com pessoas, né, até mesmo através do nosso olhar, até mesmo através da nossa postura, entrando em ambientes de dor, né, sorrindo, entrando, e não só porque eu quero sorrir, mas porque realmente eu ia pra minha quimioterapia feliz, porque existe um tratamento Sim, é um
[55:36] privilégio tu poderes ter o tratamento, acesso a esse tratamento, né? Então, estar em tempo do tratamento, né? Então, eu ia, eu me vestia da melhor forma que eu podia, eu ia radiante mesmo, não como um personagem, não para gravar pro meu Instagram, mas porque eu vi ali, ó, uma oportunidade, assim como eu tive oportunidade de tratar a hepatite, Deus estava me dando a oportunidade de tratar 56 minutoso meu câncer. No meu câncer não, o câncer ele não é meu. Não é teu. [risadas] Então, eh, então até isso a gente tem que se policiar com as palavras, sabe, para que a gente tenha uma postura diante da dificuldade que nos que seja uma postura vitoriosa e a vitória vem.
[56:18] Então, eh, essa coisa do cabelo e de eu demonstrar a fragilidade, eh, foi muito mais para me proteger. E me protegendo, eu alcancei outras pessoas e percebi que é muito bom a gente mostrar a nossa fragilidade. E assim as pessoas se identificam conosco, elas se identificaram comigo. E assim, a gente poder conversar com alguém que tá passando pela mesma coisa que a gente é muito diferente do que conversar com alguém que não faz ideia. E as pessoas que não que não passaram, elas não sabem nem o que dizer, né? Tipo, meu marido disse assim: “Mas vai crescer teu cabelo?” Disse: “Vai demorar, não vai crescer, vai demorar muito.” E eu vou dizer: “Vai demorar, vai crescer só depois que passar a quimioterapia.” Por quê? Ah, pode crescer, mas aí tu vai, como assim? Ó, o meu depois de um tempo
[57:06] ele começou a crescer com a químio branca. Quando eu fui para a quimio vermelha, ele caiu de novo, sabe? Então eu quando eu terminei as minhas químicas, meu cabelo caiu, porque o acúmulo da medicação de novo fez o meu cabelo cair. Então eu eu tenho que enfrentar com com realidade, com verdade, vai cair de novo, vai demorar para crescer. Agora tá uns toquinhos aqui, ó. E também às vezes quando começou a crescer cresce mais de um lado do que do outro. Cresce diferente. Cresce diferente. Então, exatamente, o teu cabelo não cresce uniformemente. A gente sabe que às vezes tem um lado que tá mais comprido do que o outro. Quando ele vai crescer depois de uma quím é do mesmo jeito, vai ficar às vezes umas falhas e tu tem que enfrentar isso, né?
[57:45] Existem maneiras de enfrentar, sabe que os barbeiros eh vendem para homens um pozinho? Meu marido é meio carequinho aqui em cima, então ele tem um pozinho que preenche aqui para aparecer que o cabelo é inteiro. Então existe tantas coisas hoje em dia. Então tu pode comprar isso num barbeiro ou na chopee. É um pozinho pro cabelo. Então aqui mesmo meu cabelo é branco, ó. Então às vezes eu uso um pozinho para ficar uniforme, coisa de mulher, né? Mas gente, temos essa possibilidade essas esses truques aí, né? Então, foi muito importante eu contar eh isso na no Instagram. Me conectou e me conecta com pessoas até hoje. Eu recebi muitas mensagens. Além disso, eu tive a chance de ter pessoas que eu nem conheço orando por mim também, né? Então, ter uma corrente de fé e de oração por mim foi importante, né? Foi bem bem bacana isso.
[58:37] Deixa eu ver aqui o que que falta pra gente ter. Nós vamos só falando da rádio. Ah, uma coisa importante, eu tenho mais sintomas para dizer, tu mecan meu celular que que que aí eu vou lembrar que eu tô falando da quimio, mas existe mais também, meu. E depois tu fala da Vamos conversar sobre a rádio também. Uhum. Eu quero falar mais duas coisas sobre sobre as palavras, tá? Tá, porque assim, eu também eu sempre gostei de ler, então eu li bastante também nesse nesse período, né? E e daí eu li uma uma um livro, até eu anotei aqui para eu não esquecer, porque outro
[59:18] sintoma também que a quimioterapia nos traz é uma névoa mental, que a gente esquece das coisas. Então, até eu falei pra minha médica: “Ah, eu tô esquecida”. Ela falou: “Isso também é sintoma da quimioterapia e que pode durar até 2 anos. Eu não quero que dure 2 anos, [risadas] porque é muito chato não lembrar das palavras, né? Como agora, ó, eu quero contar de um livro que que um livro chama Primeiro eu Tive que Morrer, da Lorena Portela. Contava a história de uma mulher totalmente desajustada, não sabia porque veio ao mundo, não sabia o que queria fazer e como às vezes muitas pessoas se encontram assim sem sem amparo na vida. E eu achei que ela era uma personagem desamparada e ler, então eu sempre gostei de ler e aí eu li bastante também nessa minha fase de tratamento e li um livro assim bem
[1:00:01] 1 hora e 1 segundoaleatório que se chamava Primeiro eu Tive que Morrer da Lorena Portela e a personagem era bem assim sem muito 1 hora e 9 segundossentido na vida, né? E eu eu entendi assim que ela era desamparada. E quando eu pensei que ela era desamparada, eu pensei: “Acreditar no amparo de Deus para a minha vida muda tudo”. 1 hora e 22 segundosE essa frase ficou na minha mente. 1 hora e 23 segundosAcreditar no amparo de Deus para minha vida muda tudo. Acreditar no amparo de Deus para minha existência muda tudo. E 1 hora e 32 segundosrealmente e e eu também até fiz uma mensagem no grupo de mulheres aqui que eu disse: “Uma mulher amparada ampara as 1 hora e 39 segundosoutras”. Então euente é eu realmente acredito que Deus me amparou, que Deus me amparou muito antes de eu ter um
[1:00:47] 1 hora e 47 segundoscâncer e que ele não ia me desamparar exatamente durante o câncer. E aí até tem um versículo que diz: “O Senhor é 1 hora e 54 segundosquem vai adiante de ti, ele estará contigo, não te deixará e não te desamparará”. Deuteronômio 31:8. Então, eu sou uma mulher amparada e eu tenho certeza que o amparo de Deus, ele está disponível para todos que nos assistem, né, que ainda irão nos assistir e que a gente possa então se se agarrar a isso, buscar esse amparo, acreditar nesse amparo, porque aí a nossa existência ela é diferente. Eu também quero dizer que nessas leituras, né, e eu eu também descobri uma um livro muito interessante que se chama o Poder do Ritual. E então ele nos ensina a celebrar. Tem uma frase nesse livro que diz: “Eh, a vida cresce com o fermento da celebração”.
[1:01:41] Então, por isso eu pude celebrar, não só por isso, né? Isso, eu me identifiquei com essa frase, porque isso já era uma verdade dentro de mim. Como eu disse, eu ia na quimioterapia bem vestida, procurando, né, estar eh animada para para pro tratamento, sabendo da da do desafio que viria a partir dele, mas acreditando que aquilo era sim a cura e que h aquela medicação entrando na minha veia era a cura entrando na minha veia. Então, se eu tô indo pra cura, eu tenho que ir alegre, eu tenho que celebrar isso, né? e eu ia celebrando. Então, cada fase é preciso que a gente celebre
[1:02:18] cada passo, né? Honrar cada passo que a gente tem, como comecei lá com os primeiros exames, com a cirurgia, eh, com a espera da quimio, com a consulta, com a própria quimio, cada coisa é um passo e que a gente precisa honrar esse passo e que a gente precisa celebrar então a nossa vida. E sobre a radioterapia, então, eh, eles decidiram fazer 16 sessões de radioterapia. Eles quem? Eh, o pessoal da radioterapia mesmo, o médico da radioterapia do Ser. E a radioterapia é feita todos os dias e no mesmo horário. É uma radiação que o médico me falou que tem poder de ultrapassar um bloco de concreto de 1 m.
[1:03:04] Então é uma radiação que pode ultrapassar 1 m de concreto. Imagina esse corpinho aqui. [risadas] Então é uma coisa também bem forte e é claro que quando a gente vai fazendo, no momento que a gente faz, a gente não sente nada. a gente é colocado lá numa maca e é a e é a máquina que gira e se posiciona exatamente no local onde tem que vir a radiação. Antes de fazer a radioterapia, a gente faz uma tomografia demarcatória, aonde eles com a tomografia, eles vêm exatamente aonde deve ir a radiação e fazem uma pequena tatuagem, uma no meio, outra aqui do lado, outra do outro lado para centralizar a mar a a máquina para que a radiação vá exatamente no lugar, porque senão pode pegar em outros órgãos
[1:03:51] que não haveria necessidade de receber uma radiação que tem um sintoma. Então, eh, foi feita isso e eu fazia essa essa radiação que não demorava mais do que 5, 10 minutos, tá? É bem rapidinho. E aí tu sai tranquila. A única recomendação é hidratar bastante. Eles até dão alguns nomes de cremes específicos para isso. Aí tu vai te hidratando bastante. Em casa, pode fazer compressas com chazinho de camomila e vai. Eu tava bem faceira, né, que eu não tava sentindo nada. Aí com o acúmulo das radioterapias, né, eu comecei a sentir um desconforto para engolir.
[1:04:34] Então parecia que eu tinha uma ferida na garganta e não era na garganta, era aqui na traqueia. Depois o médico me explicou que a minha radiação foi fortemente eh feita aqui, ó, do pescoço para baixo até abaixo da mama. Então machucou por dentro justamente a mucosa aqui, ã, gastro, né? [roncando] Então, foi uma coisa bem desagradável. Toda vez que eu ia comer algo mais impastoso, não acontecia nem líquido, mas eh sólido, que quando eu ia engolir raspava aqui muito forte. Ã, tá, esse eu tive durante que era disso, mas também durante o que que é isso agora me doendo. Mais uma coisa, mais uma coisa aí não é sintoma, né? é esperado.
[1:05:18] Depois o médico disse que quando terminasse na semana após a última rádio que eu ia ter reações piores. E realmente eu tive uma queimadura de terceiro grau aqui nessa região, hã, na mama, mais perto aqui na dobra da mama e abaixo na axila e uma queimadura de segundo grau abaixo da mama. Então ela ficou muito vermelha. Eh, aí eu tinha que estar hidratando todo o tempo, ardia e depois começa a escamar. Tanto tanto que o bico do seio ficou mais escuro, ficou bem marrom e o meu outro bico de seio é rosado. Então eu pensei, vou ficar com um de cada cor. Mas tá descascando como se eu tivesse tomado sol, sabe? Que que sai aquela pele mais escura quando a gente toma sol. Tu pensa que tá bronzeado, daqui a
[1:06:08] pouco começa a descascar. É assim que tá descascando em todas essas áreas. Aqui já tá melhor. E tem, se eu não tivesse com com esse colar, vocês iam perceber que parece que eu tô com pescoço sujo, mas é da queimadura que está saindo, como quando a gente toma um sol que fica algumas partes assim também com essas manchas. Mas então foram esses 16 dias e depois de uma semana, deixa eu ver aqui, foi no dia no dia 20, no dia 17 de setembro que eu terminei. Então faz poucos dias assim, não não faz, faz 15 dias assim, mais ou menos e já tá descascando. E aí já não
[1:06:47] tenho mais a sensibilidade ao toque, só essa essa escamação e tenho hidratado bastante. Então também é algo que que mexe contigo. Ã, também é normal sentir dor na mama, quem faz, né? Por quê? A radiação, o médico me disse que, ah, tu fez radioterapia hoje, é como se tu tivesse feito a tua cirurgia ontem, tu vai sentir na tua mama, porque todas as células que estavam ali ajustadas, já cicatrizadas, elas são mexidas com essa radioterapia e aí tu sente dolorido, como se tivesse fechado ontem a tua cirurgia, sabe? Então, faz parte. Essas dores elas estão diminuindo assim, né? De vez em quando dá alguma fisgadinha que eu acredito que é por conta desse sintoma aí, dessa reação, mas que já tá quase no final.
[1:07:35] Ah, ok. E agora eu tô com a hormonioterapia, que quando eu comecei, né, dá dores nas juntas, dores musculares. Só que a minha médica já disse que se eu me exercitar, isso vai melhorar. Então, já já vai passar assim. Eh, curiosidade. Já notasse que com a radioterapia tu tens uma mama bem quente. Ah, e a a temperatura é diferente, né? A temperatura muda. Exato. Quando eu fui na consulta com a minha oncologista, ela é professora da universidade, então tinha duas estudantes com elas e ela disse: “Toquem na mama dela com o dorso da mão, porque aí, né, tu consegue sentir a diferença de temperatura”. Aí elas tocaram diferença de uns 2, 3 g até 4º a médica disse que pode ter em relação a uma mama ou outra, porque
[1:08:19] aqui, ó, tem uma radiação ainda ali trabalhando internamente. E é para trabalhar para quê? Para não ter recidiva. Então, sente alguma coisa, ó, tá dando resultado. E essa a muma fica mais não é dentro, é mais rígida ali. Io, tu a a tua é muito recente, né? vai eh talvez venhas a sentir. Toda vez que vai chover a gente é capaz de prever. Tem uma sensibilidade porque a acontece alguma reação, porque o a Terra é toda interligada, não é? Então a eletricidade da da própria terra acho que vai ali e a a gente vira moça do tempo. [risadas] Na verdade eu já tenho essa sensibilidade por conta aqui da axila que mexeu muito em nervos e aí realmente quando a gente quebra um pé, tem algum
[1:09:06] torce uma perna, a gente tem essa sensibilidade. E aqui como mexeu bastante nos nervos, quando tá para tempo chuvoso, mais úmido, eu sinto um pouquinho também. [risadas] Tá bom. Aí chegou o dia da minha última quimioterapia. Então, como eu disse a vocês, eu comecei em fevereiro, dia 6 com consulta, dia 13 de fevereiro com a primeira químio e a última químio foi no dia 22 de julho. Como eu já sabia que seria a última químio imagina, a vida cresce com fermento da celebração, eu tinha que celebrar minha última quimioterapia, né? Então eu contratei uma story maker, eu encomendei salgadinhos porque eu queria levar salgadinhos para todo mundo lá no Seron. E a minha filha que morava no interior de São Paulo, eu digo morava porque agora ela mora em Campo Grande, eh também viria para esse momento, né?
[1:09:52] Então tava tudo preparado. Só que sempre antes das quimioterapias a gente faz um exame de sangue para ver como é que tá a 1 hora e 10 minutosnossa imunidade, como é que estão os nossos leucóitos, enfim, hematócrito, várias várias coisas ali, vários marcadores. Então eu fiz esse exame no dia, pera aí um pouquinho, é no dia 17 de julho. Então 17, 18, 19, 20, 21, 22, 5 dias antes da minha quimioterapia. E aí, como eu já tava fazendo exames muitas vezes, eu já sabia olhar os meus exames e eu olhei e vi que os neutrófilos eles estavam 664 e me apavorei porque com 664 mm³
[1:10:35] a gente não poderia fazer a última quimioterapia, só que eu já tava com com tudo encomendado, com, né, lembrancinha, eu fiz tipo umas preciosas promessas assim para doar pras pessoas lá e tudo. Então, como que eu não ia fazer a última timoterapia, né? Tá, Deus, eu sei que é tu que que é tu que controla tudo, mas, pô, por favor, né? Aí, ã, eu fiquei pensando, mas e agora? Até pensei em ir assim mesmo e que eles nem iam ver, mas se eles, mas assim, ó, se a gente faz quimioterapia com esses níveis baixos, pode baixar muito e aí eu tenho até que que que ser hospitalizada, sabe? Então eu tava preocupada, mas eu tinha que procurar uma solução. Aí eu falei com uma com uma
[1:11:20] prima minha que é médica e ela mora lá em Bauru, no interno de São Paulo, e ela disse: “Quem sabe que eu se eu repetisse o exame mais próximo da minha quimioterapia para ver se eles não teriam melhorado, porque realmente quando tu faz a químio ele baixa bastante e aí ele vai se recuperando. O corpo é maravilhoso. Aí ele vai se recuperando com o tempo. Quando eu chego próximo do dia da químio já recuperou. Mas como eu tinha feito cinco dias antes, poderia que por isso que ele não teria se recuperado. E também assim, ó, uma coisa boa em todas as minhas químicas que eu quero dizer que eu não precisei pular, porque às vezes tem pessoas que baixa muito a sua imunidade e ela então não pode fazer a quimo na data prevista porque não tá com os níveis pelo menos um pouco mais altos para fazer aquilo. E aí então eu repeti no dia 22 de julho, realmente no dia 22,
[1:12:07] no dia da minha qu eu repeti. E aí os meus neutrófilos estavam 2486 e tinha que estar pelo menos 1000. Ah, foi uma festa os neutrófilos terem subido. Viva os neutrófilos, né? Aí a Rebeca que foi comigo, ela tava muito feliz também porque tinha eh melhorado. Além disso, eu marquei também um encontro com pessoas aqui na igreja, pessoas que não conheciam a Jesus. Então eu dei um nome do meu evento de esperas e recomeços, entre esperas e recomeços, aonde eu contei a minha história. Também fiz uma recepção com salgadinhos, água saborizada, suco de laranja e convidei minhas amizades que não conheciam a Jesus. Então estiveram aqui mais de 80 pessoas que ouviram o meu testemunho
[1:12:47] aqui, né? Então eu tinha tudo isso preparado. Ã e aí eu tava em casa me arrumando para ir para químio e a e a Rebeca e o meu marido me apressando. Mas que vocês nunca são de tá me mandando, era só o que faltava hoje? Vocês estarem aí me incomodando, né? E aí quando eu saí na rua não sabia porê. E o meu marido, ao invés de ir pro caminho que tinha que ir pro Seron, ele dobrou. F, mas brodinha, nós temos que ir para ser. Onde é que tá indo? Eu ia buscar os salgadinhos. Não, mas não é agora. Tem que me deixar no ser para depois buscar os salgadinhos. E tudo isso eles filmaram e eu sendo assim, né, severa, né, que isso? Mas ele dobrou errado porque logo em seguida tinha uma fila de carros me esperando que nós fizemos uma carreata. Só que essa carreata era uma surpresa, né? Então foi muito bem celebrada a minha última químio tinha lá
[1:13:36] vários carros me seguindo ali, né? E buzinando e balões. Aí já botaram adesivos assim, cartazes e a minha última aqui, buzina, todo mundo com adesivos já impressos, sabe? Bem vibrantes, né? E aí eu fui pelo caminho, eu saía para fora da janela e disse: “Sou eu, sou eu que tô terminando meu último aqui, meu”. Porque celebrar também é importante. É verdade que é um momento de bastante sofrimento. Não é simples, é difícil. O cansaço que a gente sente, não dá para romantizar, realmente não é fácil. Mas quando a gente chega num ponto assim que a gente venceu uma etapa, a gente precisa valorizar cada etapa que a gente vence,
[1:14:17] né? E graças a Deus, como eu disse, eu não precisei pular nenhuma eh químio marcada. Então eu festejei muito, muito, muito e cheguei lá eh no posto em frente o Ser, as enfermeiras atravessaram a rua também para se juntar lá na na celebração no posto e tal, e todo mundo me abraçando. Digo, gente, eu não posso me atrasar para mim aqui, tenho que entrar, né? [risadas] Ai, coisa boa a gente ter, né, esses momentos e lembrar da bondade de Deus para com a nossa vida e de pessoas que ele coloca também ao nosso lado para pra gente então celebrar junto, né? Que bom que os meus amigos, né, os irmãos aqui da igreja tiveram essa ideia. E não foi só isso. Aí eu cheguei lá na na quimioterapia, foi eh um dia que eh foi
[1:15:06] difícil também o acesso, foi difícil achar as veias, né? Demorou, mas ã consegui terminar. E aí também quando eu saí, né, para comer lá os meus salgadinhos e bater o sino, porque quando a gente termina, a gente bate o sino lá para dizer: “É, eu terminei”. E era claro que eu ia bater esse co bastante força, né? Então eu estava me preparando para esse para bater esse sino e deu vontade no banheiro. Eu falei: “Eu vou no banheiro”. E o banheiro de dentro assim tava tava cheio, tinha fila e tal. Então eu fui no banheiro da recepção de fora. E quando eu fui pra recepção, que eu abri a porta, tinha meus meus ex-colegas de serviço lá do Sítio Floresta, da minha escola do município, que estavam ali
[1:15:48] para também me fazer uma surpresa e estarem no momento de eu bater o sino lá. Então, foi mais uma surpresa muito, muito legal de ter os meus colegas de serviço ali, amigos, né, que eu que eu conquistei ao longo dos meus anos de trabalho que estavam ali comigo naquele momento. Então, foi muito celebrado. Eh, eu pude falar, tinha uma outra coleguinha que começou no mesmo dia que eu e terminou no mesmo dia que eu. Então, foi um prazer também bater o sino junto com ela ali. E foi um momento ímpar, né, de gratidão a Deus, onde eu pude dizer isso, né? E aí eu entreguei para as pessoas, era um era um saquinho e dentro vários quadradinhos com versículos que são promessas que no dia que alguém tivesse sentindo para baixo ali pudesse ler
[1:16:30] essas palavras que me sustentaram durante todo o meu tratamento e durante toda a minha vida. Então foi um momento muito bacana, muito bonito. A gente comeu, bebeu, né? Se abraçou, celebrou, chorou e deu tudo certo. E vejam que até minutos antes eu não sabia se eu ia conseguir fazer por conta dos neutrófilos, né? e tava todo mundo na mesma expectativa lá por causa das surpresas. Então, foi uma satisfação muito grande chegar ao final, algo que foi tão esperado começar aqui, meu, 1 hora e 17 minutos puxa, agora eu terminei aqui e terminei eh bem, né? Apesar de todas essas essas intercorrências que eu contei para vocês, dos sintomas, das reações que aqui me dá, mas eu eu festejei muito e tive reações, inclusive ã aqui, meu, eu terminei numa quinta-feira, eu acho, sim, numa quinta, mas não pude fazer o
[1:17:22] meu evento de entre esperas recomeços na quinta, porque a minha irmã tava viajando e ela tinha que estar comigo no dia do meu evento aqui, né? Então eu esperei para fazer na sexta-feira e na sexta eu já tava começando a ter o cansaço da químil vermelha que é mais forte realmente, né? A químilio vermelho eu fiz de 21 em 21 dias, esqueci de falar que tinha esse espaço de tempo para quê? Para tu poder te recuperar, porque o BAC era maior, né? Então 21 dias para tu te recuperar para depois fazer a próxima químio vermelha. E então na sexta disso estava e eu tava bem cansada, mas eu consegui, né, falar do meu testemunho e de toda essa essa minha trajetória. Eh, deixa eu ver o que mais pode falar.
[1:18:03] No caso de das pessoas que conviveram contigo, que te conheciam, elas ficam sensibilizadas também. Ã, o que tu dirias para a pessoa, para as pessoas que convivem com alguém que teve o diagnóstico de câncer? Uhum. Sim. Eu sei que isso é complicado, porque hã, por mais que a pessoa queira eh consolar, né, às vezes as palavras para quem tá passando, aquelas palavras são irritantes, [risadas] como coitado do meu marido que veio dizer assim quando eu tava chorando por causa do meu cabelo, assim, mas vai crescer e tu sabia que eu sabia que não vai crescer, só que ele querendo me animar, né, claro, diz isso, vai crescer ou vai passar. Não, não vai passar, vai, vai passar, mas daqui a dois dias eu vou fazer químio de novo e vai voltar tudo de novo, sabe? Não. E mas ainda tem
[1:18:50] mais. Então, e eu quero dizer que a pessoa que acompanha e vai ter que ter paciência, né? Vai ter que simplesmente talvez assim dar um abraço, né? Porque não existem palavras, né? Não, não, não dá para dizer uma coisa que tu sabe que que aquilo não vai acontecer. Só que quem tá falando não sabe e quem tá passando sabe. Mas eu acredito assim que vai ter que ter bastante paciência para lidar com isso e dizer e quem sabe até acho quem quem sabe não, com certeza buscar informação, né? Porque como meu marido disse vai crescer? Não, não vai. Então talvez tem que procurar informação ou dizer assim: “Só cabelo”. Não, não é só cabelo. Não é só cabelo. Porque tu pode pensar assim: “Ah, tu vai vencer o câncer, então o que que tem que cai teu cabelo? Que que tem?” Porque não é o teu, né? Porque quando se alguma vez tu tiver que perder o teu cabelo, tu vai
[1:19:37] sentir o que a pessoa tá sentindo. Por isso que é que é melhor conversar com pessoas que passam pela mesma coisa que a gente, porque vão entender que não é frescura, que não é pouca coisa, sabe? Então tem que entender que a pessoa que tu tá acompanhando está passando por uma tempestade. E além disso, a medicação também mexe com os teus sentimentos, com as tuas emoções, com os teus hormônios, né? Então, com o teu sistema imunológico, tu já não raciocina mais direito, sabe? as tuas emoções, tu não controla as tuas emoções. Então, às vezes, talvez, ela vai ter reações, vai chorar muito, vai ficar fechada, vai ficar mais sem falar, raivosa. Isso tudo não é porque ela tá agora revoltada ou [limpando a garganta] querendo assim ser
[1:20:19] mal criada com a pessoa, né, mas é porque ela realmente não controla as coisas. Então, ter paciência, ter empatia, né? Se colocar no lugar e entender que é tudo novo, que as reações são imprevisíveis, né? Inclusive no pensamento, no sentimento, é imprevisível. E eu, eh, como terapeuta, eu digo que a cada pessoa que está acompanhando alguém ou que tem alguém na família, o mais importante para essas pessoas é estar junto, é, é a presença, é saber que ela não está sozinha. Olha, eu estou aqui, o que tu precisares, eu estou aqui. Porque como tu dissesse, as reações são muitas. Tá? Pessoas que ficam com sensibilidade auditiva, elas não conseguem ouvir um barulho, um barulho estridente, não conseguem pisar no chão.
[1:21:09] Então tudo isso demanda muita paciência até pelo cuidado assim, ah, tu tem que te alimentar, tu tem que fazer isso, tem que ser realmente a gente tem. Mas eu dizia assim, só um pouquinho, até aqui eu não fiz tudo que eu tinha que fazer. Eu eu fui uma pessoa e sou que eu me proponho a fazer o que eu tiver que fazer. Eu vou obedecer as prescrições médicas, a tudo, todas as orientações. Se eu não estou fazendo, é porque eu não posso agora. Se eu não estou fazendo, é porque eu sei, eu eu tô me cuidando, sabe? Então eu também até esse excesso assim, faz isso, faz aquilo, só um pouquinho, se eu não fiz ainda, é porque não tá dando. Porque às vezes assim, a gente não tem o paladar, né? Então tu não tem vontade de comer, tu começa a
[1:21:49] comer e aquilo não desce, sabe? Mesmo tu sabendo que tu tens que te alimentar para ficar forte e tudo mais, né? Mas é uma fase, é um tempo, depois vai melhorar, tu vai conseguir comer. Então, eh, ao mesmo tempo que a pessoa quer te incentivar para tu fazer o que é certo, esse incentivo também pera aí um pouquinho, é o meu tempo, né? E outra coisa que é importante eu dizer que a gente precisa se ouvir, ouvir o teu corpo, ouvir a tua necessidade, sabe? Ouvir que tu precisa descansar, porque às vezes a gente quer ser super forte, se a mulher maravilha e não, tu não vai ser, tu tem que ser forte para descansar. Isso também ia ser forte, saber que para um pouquinho deu, eu não vou em determinado lugar, eu não vou fazer determinada coisa, eu vou me preservar, eu vou me cuidar e também fazer aquilo que tu gosta. Sabe que no meio disso tudo também eu tinha eh eu
[1:22:37] tinha previsto que a gente ia fazer uma cantata de Natal, mas eu não sabia que eu ia ter. Então em novembro a gente já tinha essa cantata prevista e eu que ia ensaiar e tudo mais, né? E aí no dia de uma apresentação na Santa Casa, eu tava com com sintomas esses do desconforto gastrointestinal e eu queria ir e ninguém queria deixar eu ir. E aí eu falei, eu vou consultar com o oncologista. Fiz uma chamada de vídeo com o meu oncologista de Porto Alegre e ele disse assim: “Gisele, vai te fazer bem?” E eu disse: “Vai, tu vai te sentir feliz muito, então coloca uma máscara, não entra nos nos quartos e vai pelo corredor, né, que tu vai acompanhar, tu
[1:23:16] vai estar junto.” E ele disse: “Eu sei que muitas vezes fazer o bem pro outro vai fazer bem para ti, então te cuida, mas faz. Não, não, não exagera, mas faz.” Então, também isso, ó. O momento vai se ouvir, o momento que tu quer ir fazer uma coisa que todo mundo tá dizendo que não e o momento que todo mundo tá dizendo que sim e que tu vai dizer não, eu não vou fazer. Então te respeita, né? Respeita o teu corpo, respeita o teu momento, os limites de cada momento. Exatamente. Então isso é importante. O que tu dirias para alguém que recebeu esse diagnóstico? Olha, estás com câncer de mama. Uhum. Ou outro tipo até mesmas aqui, especificamente, o câncer de mama. Sim. Eh, e na verdade assim, acolhe os teus sentimentos. Tu vai ter um momento que tu vai sentir medo, que tu vai te
[1:24:04] sentir eh revoltada, talvez cada um encara de uma forma, acolhe os teus sentimentos, mas hã eu já fui viúva, já perdi meu marido e eu aprendi também que o luto tem o tempo que a gente dá para ele. Então, vive o teu luto por ter descoberto um diagnóstico que tu não queria ter. vive o teu luto, mas depois te posiciona. Sabe porque quando a gente se posiciona, as coisas acontecem. Quando a gente se posiciona, a gente muda as circunstâncias. Então, não que tu não vá ter as dores, que tu não vai ter as dificuldades, não, tu vai ter, mas tu vais buscar um futuro melhor, sabe? E até tem um versículo que eu quero dizer, hã, Provérbios 31, descreve
[1:24:47] a mulher virtuosa. E tem uma parte dele, versículo 25, que diz assim: “Reveste-se de força e dignidade e diante do futuro sorri.” Ã, então reveste-se de força, que a força seja a tua identidade, né? E ter força não significa que não dói, né? Eu acredito que aquelas pessoas que levantam pesos, com certeza eles têm força, mas a gente vê pela cara deles que eles estão sofrendo, né? Mas eles têm aquela força. Então, mesmo que a gente sofra, a gente se fortalece, que a gente permita que a nossa força seja renovada. A partir de quê? A partir de das pessoas que te amam, né? A partir daquilo que tu gosta de fazer, a partir dos planos que tu tem pro teu futuro. E para mim, eu quero te
[1:25:33] dizer, foi a partir da tua fé. Creia em Jesus. Não é necessário que tu tenhas uma religião. É preciso que tu tenhas fé. E se tu tiveres fé, essa fé vai te conduzir, vai te fortalecer. Não é que tu não vai passar por problemas, como o próprio Jesus disse: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo.” E é Jesus que vai te dar esse bom ânimo. É Jesus que vai te revestir dessa força. Qual é a força que tu vai te revestir? Não a tua própria força, mas a força que vem da fé em Jesus Cristo. Reveste-te de força e de dignidade, porque Jesus nos fez dignos de ser amados. Foi Jesus que nos fez assim. E tu és digna de ser amada, de ser amado. E o amor também é algo que te fortalece. O amor é tudo. Então, eh, se
[1:26:22] tu descobriu esse diagnóstico, vive o teu luto, mas te levanta em seguida para lutar pela tua vida e para eh usar, né, as ferramentas que a medicina nos dá para que a gente melhore. Eu conheci também pessoas que, infelizmente, não t a a o mesmo esclarecimento que a gente tem. Não que a gente seja superior, mas não. As pessoas às vezes vivem vivem num estado de ignorância, eh, no sentido de não terem o conhecimento, né, e de que mesmo com informações não entenderem essas informações. E existem pessoas que começam a fazer químio e desistem de fazer químio porque passam mal e porque antes não estavam passando mal, porque o câncer muitas vezes não nem dói, né?
[1:27:07] Aliás, o maligno não dói (percepção pessoal de que ainda pequeno não dói). Se você tá tá com nódulo e ele dói, então provavelmente não precisa se preocupar. Mas se ele não dói, se preocupe muito. Sim. Então, eh, na verdade, a dor que tu vai sentir é a reação do remédio. Ou seja, o remédio está fazendo efeito positivo e por isso tem reações, porque ele ataca outras partes do teu corpo, todas, algumas células do teu corpo que não são cancerígenas, né? Então, na verdade, aquilo é uma reação e vai passar, a reação vai passar. Então, a gente tem que ter coragem de fazer o tratamento. Tu acreditas que lá no Seron tem uma um painel lá que mostra que mais de 500 pessoas faltam aos tratamentos.
[1:27:52] Faltam, a maior parte falta a quimioterapia, outros faltam a exames, outros faltam a consulta com o oncologista. E aquele cartaz lá está dizendo que avise se vai faltar, porque aí outra pessoa pode ser chamada para fazer aquele tratamento, né? Então as pessoas faltam e nem avisam. E eu acho que as pessoas faltam porque eu já tive contato com umas três pessoas que têm dificuldade de entender o tratamento e que querem desistir, né? Então ã não desista. Isso aí faz parte e é importante que a gente conclua o tratamento. Por quê? Porque o câncer, o meu mesmo, ele não é agressivo, não era agressivo, mas ele tem um tempo mais demorado para se dizer cientificamente
[1:28:35] do que eu estou curada. Quando a gente termina a quimioterapia, radioterapia, a gente continua com a imunot, aliás, desculpe, com a hormonioterapia. Eu estou tomando hormônios diariamente. E a minha médica e a minha médica disse, mas eu já sabia, mas quando eu recebi a medicação que a farmacêutica disse, Gisele, tu vai tomar esse remédio por 10 anos de novo? Quê? 10 anos. Aí tu fica pensando, nossa, então é muito grave 1 hora e 29 minutosmesmo? Mas claro que é grave, a gente já sabia desde o início, né? Só que ao mesmo tempo lá o meu pensamento já se corrige. Tu toma um remédio para hipertensão todos os dias para toda a tua vida. [risadas] E eu tomo faceira, nem penso que é para sempre. Por que que eu vou tomar chateado um remédio para 10 anos?
[1:29:23] E essa medicação é o seguinte, ó. Eu não existe mais o o câncer no meu corpo. Já não existia quando eu fiz a quimio, já tinha sido tirado através da cirurgia com boa margem de segurança. O que que é isso? tirou o nódo e tira um pouco mais da pele, eh, dos tecidos ali, para que não tenha ficado os câncer, nenhum pedacinho ali no teu corpo. Então, aí eles mandam para a biópsia e essa margem de segurança tem que dar negativo para o câncer, aquela margem, para que então você tenha certeza de que não ficou o câncer no teu corpo. tive essa boa margem de segurança. Ainda assim se fez a quimio, se fez a rádio e agora tomando
[1:30:02] a o hormônio. Para quê? Para que não tenha a recidiva essa palavra que a gente tem um pouquinho de medo dela, porque significa a volta do câncer, a recidiva. Vou contar a vocês que eu conheci em outros órgãos e até na própria mama. Eu conheci uma moça semana passada, eh, que ela terminou a radioterapia e teve a recidiva. Quando ela fez os exames pós-rádio, ela estava tendo mais um tumor na mama, na mesma mama que ela já tinha operado, que ela já tinha feito aqui minha rádio, tá lá, tá, tá fazendo tudo de novo, também tem cura, né? porque descobriu então ainda mais precocemente esse esse novo câncer que apareceu ali e tem tratamento.
[1:30:48] São 5% que o tratamento precisa ser reajustado para continuar e examente. Exatamente. Então assim, ó, é uma coisa que eu ainda não fiz a tomografia pós- rádio, né? Só fiz exames de sangue. Ã, mas é uma coisa que pode acontecer com qualquer pessoa, não só na mama, como em outros lugares, né? Então, o que que é? Eu preciso tomar esse remédio. Eu vou esquecer. Sábado também encontrei uma senhora que teve câncer de mama, que tava depressiva e que ela decidiu não tomar o anastrozol. Disse: “Como que tu faz isso? Não, tu tem que voltar a tomar. Então a gente não pode desistir. A gente tem que se autopoliciar e buscar coisas que nos tragam esperança, né? A gente
[1:31:31] tem que buscar relações com pessoas, não se isolar, conversar, né? Buscar grupos. Existem grupos assim, existe na EF, na Faculdade de Educação Física, um grupo de mulheres que pode que tu pode fazer parte desse grupo para fazer atividade física toda segunda e toda quinta. Alunas da ISF atendem mulheres que tiveram câncer de mama. Existe um grupo de remadoras rosa que também é para fazer um remo que diminui em 30% a chance de recidiva (informações da entrevistada), a chance de volta por causa do tipo de remo que é utilizado. Existe o IBA, que é o Instituto Buquê de Amor, que também tem atividades para mulheres que tiveram ou que estão em tratamento de câncer de mama. Existe a PCE, existem vários lugares, existem também as comunidades evangélicas que eu tenho certeza, né, que tu indo num grupo de mulheres, né, tu vais ter ali pessoas que vão te
[1:32:21] acolher e que vão também te inserir numa comunidade. É importante tu fazer parte de uma comunidade e e também eu até posso dizer uma igreja católica, né, também, né, tu não é só pela religião, que com certeza é importante pelo pelo fato da fé, do desenvolvimento da fé, mas por ter esse acolhimento, essa convivência de humanos com humanos, sabe? Isso é muito importante. Todas as comunidades religiosas eh no mês de outubro costumam fazer essas reuniões. Então, a no no caso, as as comunidades evangélicas, elas costumam fazer na eh nos grupos de mulheres, principalmente,
[1:33:00] 1 hora e 33 minutosessas reuniões que tratam especificamente desse tema, não só para para estimular a prevenção, mas também trazendo testemunhos como o da Gisele. Então participe, vá, leve quem você sabe que precisa, não é? De de cuidado. Sim, o IBA mesmo ele é ali na Muarama, no Muarama. E até no final desse mês eu vou fazer com eles lá uma oficina de colares, porque também nesse meio tempo eu desenvolvi isso de eu tenho feito oficinas criativas, fiz oficina criativa de aquarelas naturais, de colagem, de bordado e agora de colar. E aí eu fiz escolar rosa justamente alusivo ao outubro rosa e a Janice que é a a mentora lá do a responsável por esse por essa ONG que é o Instituto Buquê do Amor, ela me convidou porque ela tinha muitos materiais lá. Então nós vamos
[1:33:50] fazer lá uma oficina de colares. Depois eu posso te dizer a data com certeza, porque a neva mental aqui tá me atrapalhando. Isso que aí também, né, vai para aprender a fazer, mas também para usar, para tu cuidar de ti, para tu, né, te vestir bem, para com o que tu tens, né, a gente não precisa, não é uma questão de dinheiro, é uma questão de cuidado mesmo, né? Então é importante que a gente busque fazer coisas que nos fazem bem. Para mim o artesanato sempre fez parte da minha vida. Eu gosto de fazer crochê, enfim. Então é importante também tu procurar fazer coisas que trabalhem a tua mente, a saúde mental, né? Cuidar da saúde mental que te ajuda na na tua saúde do corpo também.
[1:34:30] O que significa esperança para ti? porque tu passaste por todo esse processo e e o viver para adorar traz esperança à vida das pessoas, justamente por buscando o inspirar, desafiar e encorajar as pessoas a conhecerem a salvação em Cristo Jesus para terem uma vida de esperança. Uhum. Então seria o ID inspirado fiar encorajar. ID é o meu ID. Sim. Então eu procuro trazer histórias como a Gisele que são de que é de pessoa uma pessoa real, não é uma uma história de ah, então você que que está sendo impactado pela história dela, que que sabe que é algo importante, que alguém está precisando, compartilhe essa mensagem. Vá ali, dê o seu joinha, dê o seu like, mostre que que esse vídeo foi
[1:35:23] importante para você e compartilhe essa história porque ela pode ajudar quantas pessoas que talvez você não saiba o que dizer, mas a Gisele soube. Ela soube talvez chegar ao a a um ponto no coração dessa pessoa que está precisando que você não vai saber chegar, mas essa mensagem chega. Então, inscreva-se no canal porque a maioria das pessoas que assistem os vídeos não são inscritas. Então, inscreva-se, deixe o seu joinha e compartilhe. Vai lá no grupo do WhatsApp e compartilha com seu o grupo de mulheres, com todas as pessoas que você sabe que precisa dessa mensagem. Sim. Ah, esperança para mim é fôlego. Eh, e a esperança na minha vida é Jesus.
[1:36:09] É claro que eu tenho esperança na ciência, que eu tenho esperança do tratamento ser o mais eficaz possível, sim, mas eu tenho esperança em Jesus. Porque de do que adiantaria, eu já meio que que antecipei isso aqui na minha fala, eh do que adiantaria eu me curar do câncer e morrer eternamente? Ah, mas com Jesus eu tenho a certeza de que eu vou viver eternamente. Somos seres eternos. E Jesus então veio para que a gente pudesse ter a vida eterna, mesmo a a enfrentando a morte terrena, nós temos a vida eterna em Cristo Jesus.
[1:36:46] Vamos morar com ele eternamente a num lugar onde não haverá choro, onde não haverá dor, onde não haverá câncer, onde não haverá quimioterapia, né? onde nós vamos poder viver e desfrutar da vida que Deus preparou para nós. Então, a minha esperança é Jesus e é e essa esperança também que me traz fôlego. Fôlego para enfrentar aquilo que me traz algum desconforto, alguma dificuldade. Então, a esperança é algo que me faz enfrentar sem sem titubear. Não vou dizer sem medo porque eu tive medo, né? Não vou dizer sem lágrimas, porque eu tive lágrimas e ainda tenho. Eh, mas sem olhar para trás, sem achar que não vai ter solução. Vai ter, mesmo que a solução ã não seja aquela que eu esperava, né? Mas é aquilo que Deus
[1:37:37] preparou para mim. E vejam que uma coisa desfavorável. me trouxe tantas coisas boas. Pode parecer absurdo isso, mas não. Até mesmo não ter cabelo é uma praticidade e eu me achei tão bonita sem cabelo, sabe? E até também me dá a chance de usar uma peruca rosa, uma peruca branca, uma peruca cresça, uma peruca lisa. E eu consegui brincar com isso e me divertir com isso. Mas muito mais do que eu, eu eu também pude me conectar outras pessoas. Porque às vezes nós temos uma vida cristã e até podemos dizer para alguém que com Jesus é diferente, mas as pessoas podem olhar para nós e pensar: “Ah, mas a tua vida é
[1:38:17] normal, é perfeita, né?” né? Mas quando nós estamos então atravessando um momento de dificuldade e aí também dizer que Jesus e a minha esperança, aí a pessoa fica o quê, né? Esperança no meio desse turbilhão, né? Mas aí eu quero até ler um versículo que foi que eu li no final do meu evento, esse aí do entre esperas e recomeços, que diz assim: “E Filipenses 4 de 4 a 7: alegrai-vos sempre no Senhor.” Outra vez digo: “Alegrai-vos”. E é no Senhor, não é no momento bom só. é alegrai-vos no Senhor. Então, a gente pode se alegrar em Deus mesmo no momento difícil, mas eu vou continuar aqui. Alegrai-vos sempre no Senhor. Outra vez digo: Alegrai-vos. Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o Senhor.
[1:39:01] Não andeis ansiosos de coisa alguma. Em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições pela oração e pela súplica com ações de graças. E a paz que excede todo entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. Esses versículos são muito verdadeiros na minha vida, porque eu pude me alegrar nele e mostrar moderação. A verdade é que eu pude mostrar moderação mesmo sofrendo. Em algum momento lá eu quis ir no Instagram e chorar e dizer que tava difícil, porque eu quero sim deixar de romantizar o câncer e as reações e dizer: “Existe sofrimento?” Sim, não é fácil, é
[1:39:45] difícil, mas Deus estava comigo e está comigo em todos os momentos, momentos difíceis. E eu pude com ele ter uma moderação que não era minha, uma moderação que ele me permitiu ter, né? E essa minha moderação foi conhecida diante de todos os homens através das redes sociais, está sendo conhecida hoje aqui também através, né, do viver para adorar. E com isso também eu pude fazer verdadeiro o não andeis ansiosos por coisa alguma. Vou dizer para vocês, fiquei ansiosa quando ti o diagnóstico. Fiquei ansiosa quando depois da cirurgia tive que esperar todo esse tempo para quimioterapia. Fiquei ansiosa em cada quimioterapia pela por pensar que tipo de reação eu vou ter. Sim, fiquei ansiosa quando comecei aqui a hormonioterapia e que também tem
[1:40:35] reações, né, até ajustar esses hormônios dentro da gente, né? Então é, vou ficar ansiosa quando eu tiver que eh fazer exames de rotina para ver como é que está, porque qualquer exame a gente pode pensar: “Meu Deus, que que vai ter, né?” Mas isso é a vinda, mesmo que eu não tivesse câncer, um exame sempre é um exame que a gente fica pensando o que que vai dar, né? Então, eh, mesmo isso, eu pude aprender isso. Não andeis ansiosos por coisa alguma, né? Em tudo, porém seja conhecida a minha súplica. Então, eu peço a Deus sempre, ó, eu sinto essa ansiedade e peço a Deus. Eu senti essas ansiedades todas que eu enumerei aqui e coloquei elas, fiz elas
[1:41:16] conhecidas, né, diante de Deus através de orações, através apenas de pensamentos, muitas vezes, porque eu creio que Deus está comigo. Ele conhece o que eu penso, ele conhece as palavras antes mesmo delas chegarem à minha boca, né? E com esse processo existe vem sobre mim e sobre nós uma paz que excede todo entendimento. Então as pessoas não entendem como é que a gente pode estar em paz sentindo coisas, passando por coisas. Mas isso é o milagre que Deus faz a cada dia da nossa vida. E cada dia da nossa vida é um milagre. e que a gente possa reconhecer isso. Então, depois do câncer, tem coisas que eu penso assim: “Eu não vou me incomodar com isso. Eu tenho que cuidar da minha saúde, eu não vou me incomodar com isso. Eu não vou perder energia com isso, eu não vou pensar coisas ruins, eu não vou alimentar coisas ruins, que o pensamento ruim vem na nossa mente, né? Mas eu não
[1:42:07] vou alimentar esse pensamento, eu vou pensar outra coisa, vou fazer outra coisa, né? Eu vou colocar o outro no lugar, né?” Então, a gente pode levar os nossos pensamentos cativos a Deus, presos para Deus, né? Eh, ali para ele, né? para as coisas boas que ele fala a respeito de nós e fala para nós. Então, eh, o que eu quero dizer assim de mensagem é que e para mim mesma, né, para eu não esquecer, né, de levar as minhas petições, as minhas ansiedades diante de Deus para eu não esquecer que ele me sustentou durante todo esse processo, tudo que ele já fez por mim, né? os os eh os hebreus quando atravessaram o rio Jordão, Deus deu uma
[1:42:47] orientação para eles para que cada um pegasse uma pedra e fizesse uma coluna com aquelas pedras para que a gente olhasse para aquela pedra, para que eles então olhassem para aquelas pedras e lembrassem do livramento que Deus deu para eles, né? Então, o meu processo eh de tratamento do câncer, que seja ali uma coluna, que eu sempre olhe para ela e lembre de o que Deus fez por mim. E que a gente também possa lembrar, porque antes mesmo de eu ter tido câncer, eu já tinha várias colunas, né, para lembrar do que Deus fez por mim na minha vida, né, e o que ele faz, né, o fato da gente estar vivo, o fato da gente poder estudar, do fato da gente poder aprender uma coisa nova, do fato de a gente poder ver os nossos filhos. Se vocês têm netos, né, a maravilhosidade que é ver os netos da gente, poder vê-los, né, poder conviver com os pais se vocês ainda têm os pais de vocês vivos, isso também é uma maravilhosidade, uma graça
[1:43:38] a gente poder enxergar, né, a bênção que Deus nos dá todos os dias, de poder nos alimentar, [limpando a garganta] de podermos ver uma pessoa se desenvolvendo, uma criança se desenvolvendo, tantas coisas da natureza, poder contemplar a natureza, poder estar diante de um mar, poder estar diante de uma lagoa. poder ver uma nuvem diferente. Então, tantas coisas que a gente pode colocar na nossa mente, que são coisas boas, ao invés de nós pensarmos em coisas tão destrutivas, tão ruins. E a gente vê, né, que os seres humanos muitas vezes fazem coisas terríveis e a gente tá alimentando, vendo essas coisas. Para quê? Para quê?
[1:44:15] Pra gente dizer que a gente prefere os animais aos humanos? Não, a gente ama os animais, mas a gente também ama os humanos. Não tem cada um no seu lugar. humano ainda é sim eh alguém que pode ser bênção para tua vida, alguém que pode te fazer bem. As relações humanas são importantes para nós. Nós não somos uma ilha. Então a gente precisa estar aberto a essas relações e também a nossa relação com o sagrado. Nós somos seres espirituais e precisamos cuidar também da nossa vida espiritual. E aí é esse ser completo, né, que vai enfrentar o que tiver que enfrentar. Então eu te desafio, né, a desenvolver a fé em Jesus, a conhecer quem é Jesus e eu tenho certeza que ele vai te atrair e ele vai mudar a tua vida. E nós sempre
[1:45:02] vamos enfrentar dificuldades. Eu sempre soube, eu perdi meu pai e meu marido no mesmo ano, em 2000 e 11. E eu sabia que existem fases, né, já tinha perdido minha mãe antes, fases difíceis de perdas. E eu sei que essas fases vão e voltam. Às vezes é uma doença, às vezes é uma perda, às vezes é uma dificuldade financeira. A gente sempre vai enfrentar, mas enfrentar com Jesus faz toda a diferença. Gisele, muito obrigada.

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